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O ex-candidato presidencial equatoriano Yaku Pérez apresentou uma série de documentos à Procuradoria-Geral que, segundo ele, revelam uma suposta relação do presidente do Equador, Guillermo Lasso, com bens em paraísos fiscais no Panamá que foram mencionados nos Pandora Papers.

O político disse ter entregado um total de 12 páginas de registros públicos do país centro-americano, entre eles "a história da empresa Banisi Holding S.A., que é proprietária do banco do senhor Lasso no Panamá", ou seja, o banco com o mesmo nome.

Pérez, que denunciou o presidente em 6 de outubro pelos Pandora Papers e forçou a abertura de uma investigação, fez um breve resumo da história da Banisi S.A. e do seu crescimento econômico ao longo do tempo.

"Foi constituída em 2012. Em 2013, aumenta para US$ 100 mil o capital. Em 2014, para US$ 5 milhões. Em 2016, para US$ 30 milhões e, em 31 de maio de 2017, o aumento é para US$ 60 milhões", afirmou.

De acordo com esses documentos, disse Pérez, Lasso estava atuando como presidente da empresa, a sua esposa, María de Lourdes, como tesoureira, e um dos filhos como secretário.

O ex-candidato indígena, que já havia anunciado que tinha estes documentos, disse à imprensa que esta informação "compromete seriamente" o presidente ao ligá-lo diretamente a paraísos fiscais.

Lasso reconheceu no passado, e também após a publicação dos dados no final de setembro, que realmente teve propriedades em paraísos fiscais, mas que se livrou delas quando foi aprovada uma lei no país que proibia funcionários públicos e políticos eleitos de tê-las.

No entanto, a oposição quer saber como tudo foi feito, em que termos legais, e também se houve evasão de impostos desde 2013, quando o presidente participou das eleições pela primeira vez.

O atual presidente tem duas investigações abertas para este caso: uma em comissão da Assembleia Nacional e outra na Procuradoria-Geral da República.

Na terça-feira passada, as bancadas de Pachakutik e União pela Esperança também denunciaram as ligações do presidente com a empresa Banisi e asseguraram que as ações só foram transferidas para os seus filhos em 2020. EFE