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O ex-ditador militar Hossein Mohammad Ershad, que governou com punho de ferro Bangladesh entre 1982 e 1990 após um golpe, morreu neste domingo em Daca por problemas de saúde aos 89 anos.

Ershad morreu em um hospital militar da capital bengali devido a problemas no fígado, pulmão e rim, além de ter baixa hemoglobina, confirmou à Agência Efe o seu assessor de Imprensa, Khandakar Delower Jalali.

Segundo a fonte, o também poeta e cinco vezes membro do Parlamento à frente do partido Jatiya, será enterrado na terça-feira em Daca no cemitério do Exército.

Ershad foi uma das personalidades mais controversas da história recente de Bangladesh desde que o país se tornou independente do então Paquistão Ocidental em 1971.

O militar estava no Paquistão Ocidental quando explodiu a conhecida como guerra de libertação na parte oriental do país, por isso que permaneceu sob detenção junto com outros oficiais bengalis até sua repatriação em 1973 como parte de um acordo internacional assinado entre Índia, que apoiou Bangladesh, e Paquistão.

Quase uma década depois do seu regresso a Bangladesh, em 1982, o ex-chefe do Exército tomou o poder em um golpe de estado, derrubando o presidente Abdus Sattar, e esteve à frente do país durante nove anos até uma revolta popular em 1990.

Após ser deposto, foi processado por corrupção e lavagem de dinheiro, além de outros crimes.

Foi julgado culpado em relação à venda de terrenos, pelo qual foi sentenciado no final de 2000 a sete anos de prisão, pena reduzida a cinco anos por um tribunal de apelação, embora só tenha cumprido quatro meses de prisão, de onde saiu pagando fiança.

As primeiras eleições após a destituição do ex-ditador levaram ao poder à líder do Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), Khaleda Zia, que tinha feito parte dos protestos contra Ershad junto com sua inimiga e atual primeira-ministra, Sheikh Hasina, com a qual se alternou no poder desde então.

Apesar desta oposição, tanto Zia como Hasina tentaram depois conseguir o apoio político de Ershad, algo conseguido pela atual governante e seu partido, a Liga Awami, que tiveram o Al Jatiya do ex-ditador como aliado, apesar de fazer as vezes de principal força opositora no Parlamento diante da ausência do BNP.

Assim, Hasina o nomeou em 2014 representante especial com categoria de ministro, cargo que manteve até as eleições de 2018.

Em 2014, Ershad chegou a recitar um dos seus poemas no Parlamento intitulado "A nossa travessia começa... queremos construir o nosso amado Bangladesh", colhendo o aplauso geral da casa, para depois proclamar seu apoio incondicional a Hasina.