EFEBogotá

O ex-presidente da Colômbia Juan Manuel Santos, um dos arquitetos do acordo de paz de 2016 com as FARC, terá encontro privado com o presidente da Comissão da Verdade, Francisco de Roux, no qual será agendado um primeiro diálogo público para dar sua versão do conflito armado.

"O ex-presidente (Juan Manuel) Santos reiterou sua disposição de contribuir para esclarecer a verdade na Comissão", disse o padre jesuíta De Roux, em sua conta no Twitter.

Santos, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2016 justamente por este acordo de paz, será o terceiro ex-presidente a comparecer publicamente perante a Comissão da Verdade, órgão criado pelos acordos como espaço de construção da verdade entre vítimas e perpetradores.

Antes dele, Ernesto Samper, que em outubro de 2019 falou sobre o problema das drogas no conflito armado e o vazamento de dinheiro ilícito em sua campanha, e César Gaviria, que também narrou voluntariamente a operação do narcotráfico durante o seu mandato e as funções da Assembleia Constituinte de 1991.

Além de ser o presidente que viabilizou o acordo de paz com o extinto grupo guerrilheiro FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Santos também foi Ministro da Defesa durante o governo de Álvaro Uribe (2002-2010).

Nesse período, grande parte das execuções extrajudiciais de jovens pelo Exército ocorreram para serem apresentadas como guerrilheiros mortos em combate, o que é conhecido no país como os "falsos positivos", e que constitui um dos macro-casos tratados na Jurisdição Especial para a Paz (JEP).

Santos se reunirá hoje com a Comissão em particular e, segundo De Roux, "espera-se um diálogo público e uma data será acertada".

Foi Santos quem deu posse aos primeiros membros da Comissão da Verdade, em maio de 2018, pouco antes de deixar a presidência, mas não havia sido marcado este encontro para o ex-presidente dar sua versão do que aconteceu em seus oito anos de governo.

Ontem foi realizada a primeira reunião na Comissão da Verdade entre Rodrigo Londoño e Salvatore Mancuso, antigos líderes das ex-guerrilhas FARC e grupos paramilitares, respectivamente, na qual foi apresentada o caminho para o reconhecimento de sua responsabilidade pelos crimes cometidos no conflito armado.