EFEAssunção

O ex-presidente do Paraguai, Horacio Cartes (2013-2018), foi denunciado na Secretaria de Prevenção à Lavagem de Dinheiro ou Ativos (Seprelad), segundo informou nesta quarta-feira o ministro do Interior paraguaio, Arnaldo Giuzzio, signatário da acusação.

Em declarações a vários meios de comunicação locais, o chefe da pasta do Interior confirmou que apresentou uma queixa contra o ex-chefe de Estado na Seprelad que "tem três eixos principais: lavagem de capitais, enriquecimento ilícito e falso testemunho".

De acordo com o texto da denúncia divulgado hoje, Giuzzio observou "a existência de um conjunto de fatos e situações que poderiam constituir indícios da prática de atos puníveis de lavagem de dinheiro por contrabando e enriquecimento ilícito em função pública e outros crimes conexos".

A denúncia, assinada pelo próprio Giuzzio em caráter privado e não como membro do gabinete do atual presidente, Mario Abdo Benítez, acrescenta que esses fatos "precisam ser aprofundados, analisados e, se for o caso, de acordo com os poderes legais conferidos à Seprelad, oportunamente comunicados ao Ministério Público".

O texto inclui como fundamento jurídico a existência de uma investigação aberta no Panamá sobre o ex-presidente "por atos puníveis contra a ordem econômica e lavagem de dinheiro", além da "comercialização ilegal massiva de cigarros" pelo empresa de tabaco TABESA, de propriedade de Cartes, no Brasil, Colômbia, América Central e México.

Dias atrás, Giuzzio havia avisado que iria ao Ministério Público para apresentar uma queixa-crime contra Cartes, sobre quem disse que "foi constatado um crescimento excessivo" em termos de receitas na época em que era presidente do Paraguai.

"Foi encontrada uma soma de mais ou menos US$ 300 milhões, que na época seriam cerca de 2 bilhões de guaranis", disse.

Questionado sobre o motivo de ter ido à Seprelad e não ao Ministério Público para apresentar a denúncia, o chefe do Interior disse que a primeira instituição pode obter informações financeiras e confidenciais mais rapidamente tanto no Paraguai quanto no exterior.

"Em algum momento chegará ao Ministério Público", garantiu.

O nome de Cartes, membro do Partido Colorado, empresário e detentor de uma das maiores fortunas do Paraguai, é um dos mencionados na investigação batizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) como "Pandora Papers". EFE