EFEWashington

O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse nesta sexta-feira que o acordo feito com a Argentina para que o país quite um empréstimo de mais de US$ 44 bilhões contraído em 2018 inclui um "caminho" para a consolidação fiscal com o objetivo de "gradualmente e de forma sustentável" melhorar as finanças públicas e reduzir o financiamento monetário.

O "caminho" para a consolidação fiscal também permitirá aumentar os gastos com infraestrutura, ciência e tecnologia, e proteger programas sociais específicos.

Em um comunicado, o FMI deu detalhes sobre o entendimento anunciado mais cedo pelo presidente da Argentina, Alberto Fernández, sobre o refinanciamento do empréstimo.

Segundo a organização, as partes concordaram em incluir no acordo uma "estratégia" para reduzir os subsídios ao setor de energia de forma progressiva.

Também chegou-se a um entendimento sobre uma estrutura para a implementação da política monetária como parte de uma "abordagem multifacetada" para enfrentar a alta inflação argentina.

Essa estrutura terá como objetivo assegurar "taxas de juros reais positivas" para apoiar o financiamento interno e fortalecer a estabilidade, disse o FMI.

Logo após Fernández anunciar o acordo, o prêmio de risco da Argentina caía 3,8%, e o principal indicador do mercado acionário de Buenos Aires subia cerca de 4,2%.

O comunicado do FMI é assinado pela diretora adjunta do Departamento do Hemisfério Ocidental, Julie Kozack, e pelo chefe da missão para a Argentina, Luis Cubeddu, que tiveram um papel crucial na negociação.

Na nota, eles explicaram que também foi acordado que "o apoio financeiro adicional dos parceiros internacionais da Argentina" ajudaria a fortalecer a resiliência externa do país e seus esforços para garantir um crescimento "mais inclusivo e sustentável".

O acordo final está sujeito à aprovação do conselho executivo do FMI.

O anúncio de um entendimento entre a organização e a Argentina foi feito após meses de intensas negociações, marcadas pela necessidade do governo do país sul-americano de estender os prazos de pagamento de parcelas em meio a um cenário econômico complicado. EFE