EFEBuenos Aires

O Grupo de Puebla, fórum de líderes latino-americanos de esquerda que se reuniu neste fim de semana em Buenos Aires, rechaçou neste domingo o que considerou um "golpe de Estado" na Bolívia e prestou solidariedade a Evo Morales, cuja renúncia, segundo denunciaram, foi forçada.

"Forças da oposição desencadearam mobilizações políticas acompanhadas de atos de violência (...), para realizar um golpe de Estado e forçar a renúncia do presidente Evo Morales e seu vice-presidente Álvaro García-Linera, legal e democraticamente eleitos", disseram os participantes do encontro em comunicado.

O Grupo de Puebla lamentou que "mais uma vez, a Constituição e o Estado de direito da Bolívia foram violados, interrompendo um mandato constitucional" e denunciaram "humilhação de autoridades, invasão, saques e incêndio de residências, sequestro e ameaças de familiares" no país andino contra o governo Morales.

O fórum prestou "solidaridade ao povo boliviano" e a Morales, além de elogiá-lo como um estimulador de "políticas públicas de inclusão social, redução da pobreza e da desigualdade e da participação popular".

O Grupo de Puebla exigiu às organizações internacionais de direitos humanos que garantam "o esclarecimento dos atos de violência cometidos, o julgamento e a punição aos responsáveis e o reestabelecimento da ordem, da paz, da convivência social e da democracia na Bolívia".

Na tarde deste domingo, o Grupo de Puebla finalizou a segunda reunião desde sua criação. Em entrevista coletiva posterior, o ex-ministro da Educação e ex-senador Aloizio Mercadante afirmou que todos os membros acompanhavam os desdobramentos políticos na Bolívia.

Mercadante mostrou-se, como os demais colegas do grupo, a favor da repetição das eleições realizadas em 20 de outubro, conforme havia sido recomendado pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que detectou, em uma auditoria, irregularidades graves na apuração dos votos.

Morales havia aceitado a proposta, mas os principais líderes opositores, como Carlos Mesa, não estavam de acordo que o agora ex-presidente se candidatasse novamente - ele buscava o quarto mandato consecutivo.

Pouco depois do encerramento da reunião em Buenos Aires do Grupo de Puebla, que também contou com a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-chanceler Celso Amorim, Morales anunciou a renúncia em meio a protestos violentos em seu país contra seu governo e a suposta fraude.

"Todas a iniciativas de diálogo e negociação oferecidas pelo governo do presidente Evo Morales foram rechaçadas", disse o Grupo de Puebla no comunicado.

A nota destaca que Morales havia concordado com a renovação dos integrantes do Tribunal Supremo Eleitoral e "a possibilidade de contar com novas candidaturas" na repetição das eleições.

"Mas a oposição optou pela intransigência, a radicalização e a ruptura democrática, abrindo um grave antecedente de um novo golpe de Estado na longa história de interrupções democráticas no país", disseram os integrantes.

Com o tema "A mudança é o progressismo", a reunião do grupo aconteceu em um hotel no centro da capital argentina ontem e hoje. A primeira edição, que deu nome ao encontro, foi realizada em julho, na cidade de Puebla, no México, no qual ele foi definido como um "espaço de reflexão e de intercâmbio político na América Latina".