EFEBuenos Aires

O chefe do Parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, que se proclamou presidente interino do país, afirmou em entrevista publicada neste domingo pelo jornal argentino "Clarín" que não está sobre a mesa a possibilidade de uma intervenção militar para dar fim ao regime de Nicolás Maduro.

"O único que pode autorizar uma missão e intervenção estrangeira é o Parlamento nacional. Isto elimina qualquer possibilidade de intervenção militar", disse Guaidó na entrevista.

O líder opositor, reconhecido como presidente da Venezuela por 50 países, disse que desde sua autoproclamação houve muitos avanços "para encurralar e colocar Maduro contra as cordas".

Guaidó insistiu que a oposição nunca considerou uma intervenção. Segundo sua opinião, é o próprio regime de Maduro que procura uma "solução militar" quando "vai e fala com (o presidente sírio) Bashar Al Assad e ameaça transformar o país em outra Síria" e "abre voos dos iranianos entre Teerã e Caracas".

"Aqui de fato já existe uma intervenção militar ilegítima, como a russa e a cubana permitidas por Maduro", afirmou Guaidó, que insistiu que na Venezuela "há tropas russas não autorizadas" que "devem ir embora".

Guaidó, que reiterou que "não pode haver uma intervenção militar, mas sim cooperação internacional", disse que espera um pronunciamento dos generais que comandam as Forças Armadas venezuelanas.

"Segundo as últimas pesquisas, 97% do país está contra Maduro e 91% querem uma mudança de governo. Estamos, então, esperando que os generais ativos se pronunciem", manifestou.

Guaidó classificou a "ditadura" de Maduro como "sádica e miserável", pois "bloqueia a comida e remédios para um povo faminto e carente e, além disso, se vangloria com essa atitude".

"Estamos com mais de 2.000.000% de inflação e o Banco Mundial projeta 10.000.000% de hiperinflação. A contração econômica este ano será de 25%. O salário mínimo mensal é de US$ 5 e continua caindo", advertiu. EFE

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