EFEMadri

O veto nesta quinta-feira dos partidos independentistas da Catalunha para que o líder socialista desta região autônoma da Espanha pudesse se tornar senador e assumisse a presidência do Senado ameaça a política de diálogo pretendida pelo presidente do governo interino espanhol, Pedro Sánchez.

O plano de Sánchez, líder do Partido Socialista (PSOE), era que Miquel Iceta, primeiro dirigente do partido na Catalunha, pudesse presidir o Senado, que é a câmara parlamentar mais focada na política territorial, e se tornar uma figura-chave para aumentar o diálogo e reduzir a tensão com os independentistas catalães.

Mas, para isso, Iceta deveria ser nomeado senador. Como não foi candidato nas eleições legislativas de 28 de abril, era preciso que o parlamento regional da Catalunha aprovasse sua indicação.

O Senado espanhol tem 266 membros, dos quais 204 se elegeram no pleito parlamentar de abril e os 58 restantes são designados para representar as diferentes regiões, por isso são escolhidos nos parlamentos autônomos.

Mas a câmara regional catalã rejeitou hoje nomear Iceta senador com os votos contrários dos três partidos independentistas representados: JxCat, ERC e CUP.

Essa votação rompeu uma legislação regional segundo a qual o parlamento apoia todos os candidatos a senador de representação regional propostos por cada partido com direito a isso, independentemente de suas posições políticas.

Após a votação, Iceta criticou o "sectarismo" dos independentistas e anunciou que apresentará um recurso no Tribunal Constitucional.

O dirigente explicou que seu objetivo na câmara alta era "conseguir consensos, impulsionar uma reforma do Senado e buscar soluções dialogadas dentro da lei", conforme explicou em entrevista coletiva.

Os partidos de centro-direita e direita (Partido Popular e Ciudadanos) afirmaram diversas vezes que o plano de Sánchez de colocar Iceta na presidência do Senado correspondia às supostas concessões aos independentistas catalães.

"Mais uma vez, os fatos desmentem de forma contundente essa acusação", afirmou Iceta.

Vários analistas consideram que a rejeição do ERC (republicanos de esquerda) se deve a uma tática eleitoral, já que, de outra forma, poderia ser considerado mais "suave" que seu grande rival, o JxCat (pois o CUP é minoritário), nas eleições municipais e europeias do próximo dia 26.

Em todo caso, os socialistas advertiram ao ERC (o partido independentista mais votado nas eleições nacionais de abril) que seu veto para colocar um catalão na presidência do Senado "pode dificultar" as relações entre os partidos políticos.

Os partidos independentistas justificaram sua rejeição em tornar Iceta senador com, entre outros argumentos, o fato de que o dirigente socialista apoiou em 2017 a intervenção do governo central, que na época era comandado pelo conservador PP, na região autônoma da Catalunha como consequência da tentativa separatista de setembro e outubro daquele ano.

Mas o deputado eleito do ERC, Gabriel Rufián, garantiu nesta quinta-feira em Madri que o veto a Iceta não significa que seu partido rejeite apoiar Pedro Sánchez para continuar como presidente do governo espanhol.