EFEWashington

O indicado pelo presidente americano, Joe Biden, para chefiar a Agência Central de Inteligência (CIA), William Burns, prometeu nesta quarta-feira acelerar os esforços para competir com a China, que em sua visão representa uma adversária autoritária aos Estados Unidos.

"Vencer a concorrência com a China será fundamental para a segurança nacional (dos EUA) nas próximas décadas. A liderança antagônica e predatória da China é nosso maior desafio geopolítico", declarou Burns em sua audiência de confirmação diante do Comitê de Inteligência do Senado.

O relacionamento entre EUA e China se deteriorou drasticamente durante o mandato do ex-presidente americano Donald Trump, encerrado em 20 de janeiro. Espera-se que as tensões continuem sob o comando de Biden, que pediu para concentrar recursos no que ele descreve como uma "competição estratégica de longo prazo" contra Pequim.

"A China é uma adversária particularmente formidável em termos de aumentar metodicamente sua capacidade de roubar propriedade intelectual, de reprimir seu próprio povo, de intimidar seus vizinhos, de expandir seu alcance global e de influenciar a sociedade americana", criticou Burns.

"Para a CIA, isso significa que teremos que intensificar nosso foco e senso de urgência", acrescentou o indicado, para quem isso inclui o recrutamento de mais especialistas na China, que precisam melhorar o conhecimento do mandarim e dedicar mais recursos em geral à espionagem do gigante asiático.

O candidato a chefiar a CIA vinculou essa competição com os chineses à necessidade de a agência investir em novas tecnologias para aperfeiçoar suas técnicas de coleta e análise de inteligência.

"A CIA terá que afiar incessantemente seus mecanismos para entender como nossos adversários usam ferramentas cibernéticas e tecnológicas; antecipar, detectar e impedir seu uso; e manter uma vantagem no desenvolvimento delas", destacou.

INVESTIGAÇÃO DE "ATAQUES" EM CUBA.

Burns também prometeu continuar a investigação da origem dos misteriosos sintomas experimentados pelos diplomatas e pessoal de inteligência dos EUA em Cuba e na China, que Washington inicialmente descreveu como "ataques sônicos". Porém, agora as suspeitas apontam para microondas ou frequências de rádio dirigidas a seu pessoal.

"Vou fazer com que seja uma prioridade extremamente alta chegar ao fundo de quem é responsável pelos ataques e garantir que as pessoas afetadas e suas famílias recebam os cuidados de que precisam", frisou.

O diplomata, que trabalhou para presidentes republicanos e democratas durante quatro décadas e foi secretário de Estado adjunto durante o governo de Barack Obama (2009-2017), é um especialista em Rússia e também falou durante a audiência sobre o relacionamento com o país.

Em particular, destacou a importância da "firmeza e consistência" no relacionamento com Moscou, que sob Trump se caracterizava pela postura ambígua e, às vezes, semelhante do presidente e pela linha dura adotada por suas agências governamentais.

O indicado também se comprometeu a ficar longe das disputas partidárias em Washington, dizendo que durante sua longa permanência no Departamento de Estado aprendeu que "a política deve parar onde começa o trabalho de inteligência".