EFEQuito

Manifestantes indígenas que protestam contra o governo do Equador há mais de uma semana afirmaram nesta sexta-feira que só dialogarão com o presidente do país, Lenín Moreno, depois da revogação do polêmico decreto que pôs fim aos subsídios a combustíveis e provocou as manifestações.

Em comunicado, a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que tem 10 mil pessoas mobilizadas em Quito, colocou a revogação do decreto 883 como condição aceitar a oferta de diálogo feita por Moreno mais cedo.

A resposta da Conaie foi divulgada pouco depois de a Polícia Nacional do Equador ter lançado várias bombas de gás lacrimogêneo contra a parte externa da Assembleia Nacional, local onde os manifestantes indígenas estavam reunidos.

Pouco antes, pela primeira vez desde o início dos protestos, Moreno propôs dialogar ele próprio com as lideranças indígenas sobre o polêmico decreto. "Ponhamos nossas mãos na solução das diferenças", disse o presidente em um vídeo.

No entanto, a Conaie lembrou que já participou de um diálogo com o governo há dois anos. Para o movimento indígena, as negociações não produziram resultados concretos.

"O diálogo que o governo procura se sustentou durante esse processo de resistência em um dos piores massacres da história do Equador, uma violência exarcebada imposta pela polícia e pelos militares", afirmou o movimento indígena.

Os principais organizadores dos protestos no país responsabilizaram os ministros de Governo, María Paula Romo, e de Defesa, Oswaldo Jarrín, pela repressão às manifestações.

Desde o início das manifestações, cinco pessoas morreram e mais de 1 mil ficaram feridas ou foram detidas, segundo a Defensoria do Povo do Equador.

Embora a resistência ao decreto esteja concentrada em Quito, para onde viajaram milhares de indígenas de diferentes partes do país, também há registro de episódios de violência em outras regiões.

A onda de protestos começou com o fim do subsídio sobre a compra de combustíveis no país, uma decisão tomada por Moreno para ampliar a arrecadação do governo. A medida visava satisfazer as condições impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para conceder uma linha de crédito de US$ 10 bilhões ao país.

Enquanto isso, em Bruxelas, onde está exilado, o ex-presidente equatoriano Rafael Correa enviou uma mensagem de solidariedade às vítimas e aos feridos pelas redes sociais.

No vídeo, Correa afirma que o governo de seu ex-vice-presidente está acabado pela "própria traição e mediocridade" de Moreno.