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O Ministério das Relações Exteriores do Irã expressou nesta terça-feira que se opõe a "qualquer possível operação militar" da Turquia na Síria, horas após o governo turco anunciar que terminou os preparativos para a ofensiva no norte do país árabe.

Uma medida deste tipo "não só não eliminará as preocupações de segurança da Turquia, mas causará um grande prejuízo financeiro e humano", segundo o comunicado oficial.

Os preparativos da ofensiva turca contra as milícias curdo-sírias coincidem com o início da retirada dos soldados americanos, que até então respaldavam as Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança liderada por curdos.

A presença dos Estados Unidos na Síria é considerada "ilegal" pelas autoridades iranianas, por isso esperam que a saída das tropas americanas favoreça "a paz e a estabilidade" no país.

O Ministério das Relações Exteriores ressaltou que o Irã está pronto para interceder entre os líderes turcos e sírios para encontrar uma solução pacífica.

A nota enfatiza que respeitar "a integridade territorial e a soberania nacional da Síria", assim como o Acordo de Adana (assinado entre Turquia e Síria em 1998 para evitar uma guerra), são "bases apropriadas para as conversas".

O chefe da diplomacia iraniana, Mohammad Javad Zarif, também insistiu nesses pontos ao conversar na noite de segunda-feira com o o chanceler turco, Mevlut Cavusoglu.

Irã e Turquia participam junto com a Rússia do processo de paz na Síria, realizado em Nursultan, no Cazaquistão. Teerã defende o regime sírio de Bashar al Assad, enquanto Ancara apoia alguns grupos da oposição armada.

O objetivo turco é evitar que as milícias curdo-sírias, que a Turquia considera uma mera extensão da guerrilha curdo-turca do proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), expandam o seu poder na parte norte da Síria, na fronteira com a Turquia.