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O jornalista investigativo russo Ivan Golunov admitiu nesta sexta-feira que teme por sua segurança depois de ser libertado e após ser acusado de tráfico de drogas, o que provocou a demissão de dois comandantes da polícia.

"Sinto certo temor pela minha segurança, já que por enquanto não está nada claro o que os investigadores sentem, que nem nos seus piores sonhos podiam imaginar que isto pudesse acabar assim", disse Golunov em entrevista à televisão russa.

O jornalista, que foi libertado depois que as autoridades admitiram a falta de provas contra ele, reconheceu que "tudo é possível", por isso tenta se "precaver".

"Tenho muita vontade de voltar à minha vida normal, pegar o metrô com total tranquilidade e escrever notícias", comentou Golunov.

O jornalista também confessou que sofre "ataques de pânico", por isso não confirmou presença na manifestação convocada a seu favor para este domingo.

"Tenho que voltar a ser eu mesmo. Entender o que aconteceu. Hoje é sexta-feira. Ainda faltam dois dias. Tentarei tomar uma decisão", afirmou.

"Lei e justiça para todos" é o lema da manifestação convocada pela União de Jornalistas da Rússia e que, ao contrário da realizada na quarta-feira, conta com autorização da prefeitura de Moscou.

Mais de 500 pessoas foram detidas no protesto não autorizado, entre elas o líder opositor russo Alexei Navalny, embora a maioria tenha sido libertada, segundo o portal de notícias "OVD". A polícia admitiu mais de 200 detenções.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, destituiu na quinta-feira dois comandantes da polícia devido ao caso de tráfico de drogas contra Golunov, que muitos consideram armado.

O repórter, que trabalha no jornal digital "Meduza", foi detido no dia 6 de junho, depois que a polícia supostamente encontrou drogas em sua mochila e em sua casa, acusação que causou uma mobilização sem precedentes entre a imprensa russa contra a arbitrariedade policial.

O próprio Golunov se declarou desde o início inocente e vinculou a perseguição policial à sua atividade profissional, indicando que recebeu ameaças várias vezes.

Nos últimos anos, pelo menos oito jornalistas e ativistas russos foram detidos pelas mesmas acusações que Golunov, entre eles Oyub Titiev, diretor do escritório checheno da ONG Memorial, que teve prisão domiciliar concedida na última segunda-feira.