EFEHong Kong

Centenas de jornalistas saíram às ruas neste domingo em Hong Kong para protestar contra a atuação policial com os profissionais durante a onda de protestos que atinge a cidade e que afeta diversos setores.

Cerca de mil jornalistas e simpatizantes realizaram uma manifestação silenciosa que passou diante da sede geral da polícia de Hong Kong sob o tema "Deter a violência policial e defender a liberdade de imprensa".

A manifestação pacífica aconteceu em resposta ao que os trabalhadores dos veículos de imprensa consideram "abusos de poder" e "obstrução e ataque contra jornalistas por policiais" durante os protestos contra o Governo das últimas semanas.

A manifestação foi organizada pela Associação de Jornalistas de Hong Kong (HKJA) e terminou com a leitura de um comunicado por parte do presidente, Chris Yeung, no qual assegurou que durante os protestos, "os jornalistas foram dispersados injustificadamente, empurrados, insultados verbalmente e inclusive atingidos com cacetetes e por disparos de balas de borracha pelos agentes".

Segundo contou à Agência Efe o fotógrafo Chan Long-hei, a polícia "dificultou o nosso trabalho em todas e cada um dos protestos. Apontaram para nossa cara com uma potente lanterna, o que nos dificultava tirar fotos, nos empurraram com seus escudos e, o mais grave de tudo, marcaram uma área longe do local onde acontecia ações de interesse jornalístico e ficamos confinados dentro dela."

Desde junho, a HKJA recebeu 29 queixas de jornalistas por suposto abuso da força pelos agentes e obstrução ao trabalho.

Durante o último mês, os protestos ficaram cada vez mais frequentes na antiga colônia britânica desde que um milhão de pessoas saíram às ruas em 9 de junho em protesto pelo polêmico projeto de extradição, que teria permitido transferir indivíduos à China continental para ser julgados nos tribunais controlados pelo Partido Comunista Chinês.

Nos protestos houve momentos de máxima tensão quando centenas de jovens manifestantes atacaram e destruíram o Parlamento da cidade, fatos que deram a volta ao mundo e atraíram a atenção da comunidade internacional.

Emm 9 de julho, a chefe de Governo da cidade, Carrie Lam, declarou a "morte" da lei, uma situação que não conseguiu acalmar os habitantes da ex- colônia britânica.

Muitos cidadãos de Hong Kong se sentem incomodados com os diversos problemas que geralmente estão relacionados com a crescente intervenção da China na cidade, por isso que, diante do sentido de solidariedade que surgiu nos protestos, decidiram que é hora mostrar suas preocupações e organizar mais manifestações.

No sábado, cerca de 20 mil pessoas se reuniram em uma cidade perto da fronteira chinesa em protesto pelos comerciantes da China continental que inundam a área, recolhem bens e os revendem na China continental mais caros.

E a manifestação de jornalistas não foi a única realizada hoje na cidade, pois durante a tarde de hoje cerca de 100 mil pessoas se juntaram para exigir um conjunto de reivindicações públicas, em uma ato que até o momento registrou alguns incidentes menores. EFE

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