EFEHong Kong

Milhares de jovens manifestantes e um grupo de idosos realizaram neste sábado em ruas de Hong Kong dois protestos não autorizados pela polícia e que, assim como as grandes manifestações que aconteceram nos últimos 18 fins de semana na cidade, tiveram como alvo o governo local.

Poucas horas depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar diante do vice-primeiro-ministro chinês Liu He - que havia ido a Washington para negociações sobre uma saída para a guerra comercial - que os protestos em Hong Kong "tinham diminuído", milhares de pessoas foram às ruas para se opor à recente lei antimáscara.

Enquanto os jovens se concentraram na região turística de Tsim Sha Tsui, os idosos realizaram um protesto do outro lado do porto, contra a violência policial para reprimir manifestantes nos últimos quatro meses.

Os protestos de hoje foram realizados uma semana depois de violentos confrontos entre policiais e manifestantes radicais que se opõem à entrada em vigor de uma lei que os proíbe de usar máscaras. Durante a semana, entretanto, não houve distúrbios.

No protesto de hoje, jovens mascarados - alguns dos quais bloquearam ruas e vandalizaram mobiliário urbano e alguns estabelecimentos comerciais.

Embora muitos manifestantes não se sintam intimidados pela lei (que pode acarretar até um ano de prisão e uma multa de até 25 mil dólares de Hong Kong, o equivalente a R$ 13,1 mil), há uma preocupação generalizada de que a invocação dela abra um perigoso precedente.

Os idosos também se arriscaram a serem presos, já que as penas por "reunião ilegal" podem chegar a cinco anos de prisão.

"Se tenho medo da polícia? Não sei nem como se soletra medo", disse Benedict Ng, um taxista aposentado de 82 anos que participou do protesto, à Agência Efe.

"A polícia de Hong Kong deixou de ser uma força de manutenção da ordem pública para se tornar um instrumento político. A forma como trata os jovens manifestantes não faz sentido. Temos que condenar a brutalidade policial", acrescentou.

Desde o final de julho, a polícia negou a permissão a várias manifestações, o que contribuiu para reduzir o número de participantes, mas não o de protestos, neste importante centro financeiro internacional.

Os protestos se tornaram constantes e maiores em junho por causa de uma polêmica proposta de lei de extradição e ganharam novas pautas até se transformarem em um movimento que busca uma melhora dos mecanismos democráticos que regem Hong Kong e uma oposição ao autoritarismo do governo da China.

Por outro lado, alguns manifestantes optaram por táticas mais radicais, e confrontos violentos com a polícia se tornaram frequentes. EFE

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