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Milhares de jovens estudantes protestaram nesta sexta-feira em várias cidades do mundo para exigir dos políticos medidas urgentes contra a mudança climática.

O movimento "Youth For Climate" (Jovens pelo Clima) promoveu manifestações em 1.800 cidades de mais de cem países sob o lema "Friday for Future" (Sexta-feira pelo Futuro).

A iniciativa começou em agosto de 2018 com a jovem sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, que decidiu protestar em frente ao parlamento do país para exigir ações contra o aquecimento global.

O protesto ganhou força e se transformou em um movimento internacional focado nos estudantes, mas também aberto aos adultos.

Greta é o rosto da iniciativa e liderou os protestos organizados hoje em Estocolmo, capital da Suécia.

"Estamos diante de uma crise existencial, a maior que a humanidade já enfrentou", disse a jovem na manifestação, que ocorreu em uma praça na região central de Estocolmo.

A ativista disse que os jovens não contribuíram para a crise, mas nasceram neste mundo e terão que lidar com ela ao longo de suas vidas, assim como farão seus filhos e netos.

"Não vamos aceitar isso. Fazemos manifestações porque queremos um futuro e vamos continuar", ressaltou Greta.

Os protestos se espalharam pelos centros das principais cidades do mundo, com palavras de ordem diferentes, mas sempre tendo como foco a necessidade de combater os efeitos da mudança climática.

"Não há planeta B", cantavam em Lisboa milhares de jovens. Em Lausanne, na Suíça, os estudantes diziam que os políticos estavam "condenados" porque "a juventude foi para as ruas".

Em Berlim, a exigência era de "mudança política, não o clima". Nas ruas de Viena, os austríacos afirmavam que é "melhor uma mudança humana do que uma mudança climática". Em Veneza, os jovens penduraram um cartaz gigante com a seguinte frase: "Ainda há tempo".

Em Madri, os estudantes espanhóis leram um manifesto em frente ao Congresso dos Deputados após uma passeata que cruzou as principais ruas da capital do país. O texto termina com uma defesa da vida e um pedido que os políticos atuem em defesa da mudança climática.

Na Eslovênia, os jovens apresentaram ao governo uma lista de reivindicações concretas, como um orçamento mais verde, o fechamento de uma usina termelétrica e a diminuição de 40% nas emissões de gases produzidos no transporte até 2040.

Em Nova Délhi, cidade com um dos maiores níveis de poluição do planeta, a jovem Raza explicou os pedidos dos indianos às autoridades do país.

"Estamos aqui para criar consciência sobre a mudança climática. Deus nos deu a oportunidade de curtir nossas vidas na Terra. Portanto, nossa responsabilidade é mantê-la limpa", disse ela.

Hoje não fomos à escola porque a escola pode esperar, mas a mudança climática não", disse a jornalistas turcos um dos organizadores do ato em Istambul, Atlas Sarrafoglu, de 11 anos.

A luta contra o aquecimento global também chegou a alguns países da África, como o Quênia, a África do Sul e Uganda, onde não houve uma paralisação geral dos estudantes, mas passeatas de protesto.

Em Nairóbi, os manifestantes foram à floresta de Karura, um dos "pulmões" da cidade. "Nos demos conta que, embora o Quênia seja um dos países mais afetados pela mudança climática, nada estava ocorrendo aqui", disse Niko Berghmans, um jovem de 16 anos.

Em Uganda, os estudantes lotaram as redes sociais com fotos e vídeos dos manifestantes exigindo mudanças dos políticos locais.

Na África do Sul, país mais industrializado do continente, os protestos exigiam uma atuação urgente na política energética adotada pelo governo. Apesar de ter apenas a 25ª população do planeta, o país é o 14º que mais produz dióxido de carbono.