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A juíza da Suprema Corte peruana Susana Castañeda decidiu nesta quinta-feira reduzir a prisão preventiva da líder opositora Keiko Fujimori para 18 meses, que serão concluídos no dia 30 de abril de 2020, enquanto a ex-candidata presidencial é investigada pelo suposto recebimento ilegal de dinheiro da Odebrecht para as campanhas eleitorais de 2011 e 2016.

A redução do período foi determinada após Castañera analisar o recurso apresentado pela defesa de Fujimori, que buscava a revogação da prisão preventiva de 36 meses.

A magistrada também reduziu de 36 para 18 meses as prisões preventivas do ex-assessor de Fujimori, Pier Figari, e do ex-chefe de campanha, Jaime Yoshiyama. No caso de Figari, a detenção terminará no dia 14 de maio de 2020. Já a de Yoshiyama, ex-ministro do ex-presidente Alberto Fujimori, em 10 de setembro de 2020.

A juíza explicou que a prisão preventiva de 36 meses ditada para Fujimori, Figari e Yoshiyama corresponde a casos de crime organizado, mas que não é possível estabelecer uma diferença entre o risco de fuga e o de obstaculização da justiça, apontados pelo Ministério Público.

Um sobrinho de Yoshiyama confessou ao promotor do caso, José Domingo Pérez, que seu tio o pediu para buscar amigos para que depositassem US$ 800 mil, em espécie, nas contas do partido como supostos apoiadores da campanha.

Jorge Barata, ex-diretor executivo da Odebrecht no Peru, declarou ao promotor Pérez que entregou um aporte de US$ 1 milhão para a campanha de Keiko Fujimori em 2011.

A juíza Castañeda foi convocada pela Sala Penal Permanente da Suprema Corte para resolver o recurso apresentado pela advogada de Fujimori, Giuliana Loza, depois que cinco dos seis juízes da sala rejeitaram a libertação e três deles votaram a favor de reduzir a medida para 18 meses.

Após a audiência, a advogada disse à imprensa que a Suprema Corte não fez justiça. Segundo ela, "uma série de abusos" ocorre desde o dia da detenção, em outubro do ano passado: "Os 18 meses não representam um ato de justiça", expressou a advogada.

Loza acrescentou que "o país foi testemunha que a pressão de fatores externos foi imposta em prejuízo da liberdade de Keiko" e anunciou que outros recursos serão apresentados ao Tribunal Constitucional.

"Agora, vamos à instância constitucional que resta habilitada para nós, onde esperamos se faça justiça a Fujimori. Esperamos encontrar justiça lá, porque não existiu justiça para Keiko", comentou Loza.

Fujimori é investigada por suposto envolvimento em lavagem de dinheiro ao tentar ocultar a verba irregular recebida, entre outras fontes, da Odebrecht para financiar campanhas eleitorais, conforme confessaram representantes da construtora e colaboradores à justiça peruana.