EFEBerlim

A ministra da Justiça da Alemanha, Christine Lambrecht, confirmou nesta quinta-feira a natureza de extrema-direita do ataque que deixou duas pessoas mortas e duas gravemente feridas ontem nos arredores de uma sinagoga na cidade de Halle, no leste do país.

"Stephan B. cometeu um massacre movido por racismo e antissemitismo", frisou o procurador-geral, Peter Frank, a respeito do autor do ataque, que se deslocou "fortemente armado" à sinagoga e deixou escrito um manifesto que esclareceu as intenções do ataque.

O suspeito, detido na quarta-feira, é acusado de duplo homicídio - pelas mortes de uma mulher e um homem - e enfrenta outras nove acusações de tentativa de homicídio, devido também às pessoas que feriu no segundo tiroteio, provocado em um estabelecimento de fast-food turco a 500 metros da sinagoga.

Frank explicou que o detido portava várias "armas longas", "possivelmente de fabricação caseira", e até quatro quilos de explosivos.

De acordo com o procurador-geral, Stephan Balliet pretendia criar uma "repercussão global" e encorajar outros ultradireitistas a cometerem mais ataques, motivo pelo qual transmitiu ao vivo o ato com uma câmera acoplada ao capacete que utilizava.

O procurador-geral admitiu que ainda não há "respostas claras" para muitas das dúvidas geradas, como a possibilidade de o autor do ataque ter cúmplices, e adiantou que demorará para que os investigadores analisem a atividade virtual do atirador na darknet.

A ministra da Justiça ressaltou que a violência ultradireitista é uma das maiores "ameaças enfrentadas" pela sociedade e que o estado de direito deve empregar todas as ferramentas disponíveis para combatê-la de forma consciente.

A Procuradoria-Geral solicitou a prisão preventiva do acusado, que ficará à disposição da Justiça a partir desta quinta-feira.