EFELima

A defesa do ex-presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski apresentou nesta segunda-feira um recurso contra a prisão preventiva decretada na última sexta-feira e, caso o pedido seja negado, solicitou à Justiça que permita que ele cumpra a pena de 36 meses em regime domiciliar.

O advogado Renzo Miranda, que representa Kuczynski, argumentou que o ex-presidente peruano tem mais de 80 anos e não representa risco de fuga que justifique a prisão por 36 meses.

Kuczynski está internado há uma semana em um hospital de Lima, sob custódia da Polícia Nacional, por causa de problemas cardíacos.

Miranda classificou a prisão preventiva como "abuso". Na decisão decretada na última sexta-feira, o juiz Jorge Chávez considerou que existem evidências de que Kuczynski ocultou e deu informações falsas ao Ministério Público. Além disso, avaliou que há risco de fuga do ex-presidente, já que sua família vive nos Estados Unidos.

Kuczynski é acusado de lavar dinheiro recebido da Odebrecht através da empresa Westfield Capital, empresa que pertence ao ex-presidente e tem sede nos Estados Unidos, quando era ministro do também ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006).

O Ministério Público suspeita que US$ 728 mil pagos pela Odebrecht à empresa por consultorias são, na verdade, propinas para que ele concedesse favores à construtora em licitações de obras públicas.

O advogado do ex-presidente disse que ele está disposto a ficar em prisão domiciliar, aplicável a pessoas maiores de 65 anos, caso a Justiça peruana decida manter a prisão preventiva.

Kuczynski está proibido de deixar o país desde março de 2018, mas pediu à Justiça permissão para viajar aos Estados Unidos para tratar de seus problemas cardíacos em uma clínica especializada. A solicitação foi negada.

Na última quarta-feira, ex-presidente peruano Alan García se suicidou pouco antes de ser preso preventivamente. Ele também era investigado por corrupção no caso Odebrecht.