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Os ministros das Relações Exteriores de Rússia e Japão, Sergei Lavrov e Taro Kono, respectivamente, iniciaram nesta segunda-feira em Moscou conversas sobre o problema da assinatura de um tratado de paz entre ambos os países, pendente desde o término da Segunda Guerra Mundial.

"De acordo com as instruções dadas por nossos dirigentes após as cúpulas de novembro em Singapura e de dezembro em Buenos Aires, começamos hoje as negociações sobre o problema do tratado de paz", disse o chefe da diplomacia russa ao início da reunião.

Lavrov se referia aos encontros do presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, nos quais ambos chegaram a um acordo para criar um "novo mecanismo de negociação" para o tratado de paz.

"O tema da assinatura do tratado de paz não é simples. É herança da Segunda Guerra Mundial, cujos resultados foram reconhecidos pela ONU", disse o ministro russo, que espera um debate "franco e construtivo" com os japoneses.

Lavrov destacou que conseguiu criar com Kono um "clima de confiança e respeito", algo que considerou de grande importância, tendo em vista as tarefas colocadas pelos líderes de ambos os países.

Por sua vez, o ministro japonês indicou que nas conversas também serão abordados os preparativos para a próxima visita de Abe a Moscou, cuja data ainda não foi confirmada, e anunciou que o presidente russo é esperado no Japão em junho para a cerimônia de encerramento do Ano do Japão na Rússia e da Rússia no Japão.

Às vésperas do início das negociações, Moscou convidou Tóquio a reconhecer os resultados da Segunda Guerra Mundial e a soberania russa sobre as Ilhas Curilas, cuja devolução é reivindicada pelo Japão.

"O pleno reconhecimento dos resultados da Segunda Guerra Mundial, incluída a soberania do nosso país sobre as Ilhas Curilas, deve ser uma condição essencial para encontrar soluções que permitam resolver o problema do tratado de paz", afirmou a Chancelaria da Rússia em comunicado.

Em 1956, União Soviética e Japão assinaram uma declaração pela qual retomaram relações diplomáticas e estabeleceram normas para a assinatura do tratado de paz, que incluía a devolução ao Japão de duas das quatro ilhas Curilas.

A declaração foi não só assinada, mas ratificada pelos parlamentos de ambos os países.

Em pouco tempo, Japão e União Soviética renunciaram, por diferentes motivos, ao cumprimento da declaração e só em 2000 Moscou e Tóquio voltaram a falar sobre a possibilidade de assinar um tratado de paz.

Tóquio, no entanto, reivindica a devolução das quatro ilhas Curilas.