EFEWatford (R.Unido)

Os governantes dos países da Otan, que se reuniram em Watford, na Inglaterra, ressaltaram nesta quarta-feira o comprometimento com o princípio básico da organização, a defesa coletiva, apesar dos desencontros ocorridos anteriormente entre França, Turquia e Estados Unidos devido à gestão da aliança.

"Solidariedade, união e coesão são os princípios básicos da nossa aliança. Um ataque contra um aliado será considerado um ataque contra todos", enfatizaram em declaração aprovada ao término da cúpula que celebra os 70 anos da Otan.

O pedido apresentado pela Turquia na terça-feira para que os aliados apoiem a sua classificação dos curdos como terroristas colocou em dúvida o apoio do país à declaração aprovada nesta quarta-feira.

"A reunião transcorreu com um clima muito bom, foi construtiva. Temos tomado muitas decisões e demonstrado que não olhamos só para trás na nossa história, mas também para o futuro" comentou o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, em coletiva de imprensa.

Segundo Stoltenberg, a reunião não abordou "especificamente" a exigência turca sobre o terrorismo curdo, uma questão sobre a qual é "bem sabido" que os aliados têm opiniões diferentes.

No entanto, afirmou que "o importante é não comprometer o trabalho antiterrorista da Otan", por exemplo, fazendo parte da coalizão internacional contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Stoltenberg reconheceu que "muitos aliados" manifestaram preocupação sobre a decisão da Turquia de adquirir da Rússia um sistema antimíssil que é incompatível com o da aliança.

"Apesar das diferenças, estamos unidos na nossa tarefa central de nos defendermos uns aos outros", destacou o político norueguês.

Os líderes da Otan tomaram nesta quarta-feira decisões para aumentar a prontidão das suas forças, declararam o espaço como a quinta área operacional (junto a terra, mar, ar e ciberespaço) e aprovaram um plano de ação contra o terrorismo.

Pela primeira vez, também abordaram o 'boom' da China e se comprometeram a garantir a segurança das telecomunicações, incluindo as redes 5G.

Os governantes também pediram a Stoltenberg para que apresentasse aos ministros das Relações Exteriores uma proposta para abrir um processo de reflexão que, recorrendo a peritos, "reforce a dimensão política da Otan".