EFECidade do México

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pediu nesta segunda-feira à Justiça que "agilize" a libertação de presos não condenados, pessoas torturadas, idosos e doentes em estado grave, conforme determina seu decreto de 25 de agosto.

O mandatário anunciou que vai negociar com o presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Nação (SCJN), Arturo Zaldívar, e o procurador-geral da República, Alejandro Gertz Manero, para cumprir a libertação, que havia prometido antes de 15 de setembro.

"Vamos falar com o presidente do Tribunal, vamos falar com o procurador para agilizar os trâmites, para libertar muita gente", disse durante entrevista coletiva, sem detalhar quantos prisioneiros foram beneficiados até agora pela medida federal.

López Obrador referiu-se ao decreto que publicou no Diário Oficial da Federação (DOF), que ordena uma comissão libertar prisioneiros com mais de 75 anos, detentos de mais de 65 anos com doenças crônicas, presos por 10 anos sem sentença e torturados.

Há algumas semanas, o presidente justificou a medida observando que das mais de 220 mil pessoas presas, 43% não foram condenadas, o que equivale a cerca de 125,5 mil.

"Aqueles que não foram condenados durante muitos, muitos anos, aqueles que estão doentes, o que é muito lamentável, os idosos, os enfermos que deveriam ser libertados. E os que comprovadamente foram torturados", disse López Obrador sobre os potenciais beneficiários.

Quase 20 governadores estaduais, incluindo a prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, anunciaram que iriam aderir com um decreto próprio que se aplicaria a crimes de jurisdição local.

Apesar das promessas do presidente, defensores dos direitos humanos e familiares dos detidos questionaram a demora na libertação dos prisioneiros.

As associações também se queixaram que o decreto federal é insuficiente porque cria uma comissão entre o Ministério do Interior (Segob) e o Ministério da Segurança Pública e Proteção ao Cidadão (SSPC), mas pede apenas a aplicação das leis existentes.

López Obrador atribuiu o atraso na burocracia governamental e no poder judiciário, e prometeu que os titulares de Segob, Adán Augusto López, e SSPC, Rosa Icela Rodríguez, informariam sobre os progressos amanhã. EFE

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