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O presidente de Belarus, Alexandr Lukashenko, acusou nesta terça-feira a oposição de tentar tomar o poder através do conselho de coordenação e anunciou a mobilização do Exército na fronteira ocidental devido a uma suposta ameaça do exterior.

"Eles exigem, sem mais nem menos, que cedamos o poder. Ou seja, só interpretamos isso de uma forma: é uma tentativa de tomar o poder com todas as consequências", disse o mandatário durante uma reunião do Conselho de Segurança de Belarus, segundo a agência estatal "Belta".

Desde as eleições presidenciais de 9 de agosto, a oposição se mantém irredutível ao pedir a renúncia de Lukashenko, que ameaçou adotar "medidas adequadas" contra os membros do conselho de coordenação, idealizado pela oposição para realizar a transição de poder e que conta com Svetlana Alexievich, ganhadora do prêmio Nobel de Literatura em 2015.

"Temos medidas suficientes para acalmar algumas cabeças quentes. Mas apenas em virtude da Constituição e das leis", comentou o governante.

Lukashenko, que desqualificou os membros do conselho, alguns dos quais chamou de "nazis", acusou a oposição de querer abandonar a a União da Rússia e Bielorrússia e proibir a língua russa. A afirmação foi negada por uma das líderes da oposição, Maria Kolesnikova, que acusou o presidente de "manipulação e engano".

O conselho de coordenação da oposição bielorrussa para a transferência de poder realizou a sua primeira reunião nesta terça-feira.

"Não é um partido político, mas uma comunidade de cidadãos que deve influenciar na transferência pacífica do poder", explicou Kolesnikova.

Lukashenko anunciou também que colocou tropas em alerta na fronteira ocidental do país, em reação a uma suposta ameaça externa.

"Graças aos céus, reagimos e posicionamos unidades militares do nosso Exército nas fronteiras ocidentais e estamos em alerta máximo", enfatizou o presidente.

Lukashenko, que nesta terça-feira conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, mencionou declarações de alguns líderes ocidentais que, segundo ele, "não sabem onde fica Belarus".

"E eles não sabem o que está acontecendo aqui. De qualquer modo, eles fazem essas declarações. Como dizem os militares, o fator externo nos obriga a avaliar a situação e a agir conforme necessário", explicou.

Embora não tenha especificado tais declarações, Lukashenko argumentou "surgiram não só problemas internos, mas também problemas externos".

"E o fato de serem ações coordenadas fica claro para nós. Mas isto nem sequer é o auge", advertiu. EFE

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