EFEBuenos Aires

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deixou ontem a prisão após mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a prisão de condenados em segunda instância, afirmou neste sábado, através de uma mensagem de vídeo exibida na inauguração da segunda reunião do Grupo de Puebla, realizada em Buenos Aires, que pretende viajar pela América Latina e ainda tem o desejo de "integrá-la".

"Estando livre, estou com muita vontade de voltar, tenho um objetivo na ideia de construir uma integração latino-americana muito forte, ainda continuo com o sonho de construir nossa grande América Latina", disse Lula aos participantes do primeiro dia do evento, que reúne líderes políticos de esquerda de 12 países.

O tom da mensagem sobre as instituições e a imprensa brasileiras foi similar ao que adotou ontem em um ato com simpatizantes após sua soltura em Curitiba, quando afirmou que o Estado brasileiro tinha tentado "criminalizar" a esquerda.

"Estou com muita vontade de viajar a América Latina e estou com muita disposição de combater o lado podre do Poder Judicial, da Polícia Federal, do Ministério Público e o lado pode da imprensa brasileira", afirmou Lula em sua saudação ao Grupo de Puebla.

Os líderes latino-americanos que participam do fórum comemoraram a soltura de Lula, que recebeu mensagens de apoio dos primeiros oradores das palestras, entre eles a também ex-presidente Dilma Rousseff e o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández.

Lula declarou que a vitória de Fernández pode levar a uma mudança na região e ressaltou que continua "acreditando" que é possível melhorar a vida dos diversos povos da América Latina se os governantes tiverem respeito "pelo povo pobre e pela distribuição de renda".

"Fernández pode fazer isso na Argentina, e (o mesmo) pode ser herdado por outros países", ressaltou.

Lula também se pronunciou sobre a crise política na Bolívia, onde vêm ocorrendo protestos violentos desde as eleições de outubro, nas quais a oposição considera que houve fraude por parte do governo de Evo Morales, que segundo a apuração oficial ganhou em primeiro turno depois de uma mudança de tendência no resultado na reta final da contagem.

"Estou feliz pela eleição de Evo, apesar da canalhice que estão fazendo com ele na Bolívia", afirmou Lula sobre o governante, que nos últimos dias denunciou que é vítima de uma tentativa de golpe de estado.

Com o tema "A mudança é o progressismo", a reunião acontece em um hotel no centro da capital argentina neste sábado e domingo e é o segundo do grupo de líderes. O primeiro, que deu nome ao encontro, foi realizado em julho na cidade de Puebla, no México, como um "espaço de reflexão e de intercâmbio político na América Latina".

A segunda reunião do Grupo de Puebla foi inaugurada pelo peronista Alberto Fernández, que assumirá a presidência da Argentina em 10 de dezembro, no lugar de Mauricio Macri, a quem derrotou nas eleições de 27 de outubro.

Também participam os ex-presidentes Ernesto Samper (Colômbia), Martín Torrijos (Panamá), Fernando Lugo (Paraguai) e o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim, entre outros.