EFESão Bernardo do Campo (SP)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em discurso no interior de São Paulo neste sábado, um dia depois de ter sido solto em Curitiba, que não deixou o país no ano passado para provar que está sendo vítima de uma armação.

"Eu tomei a decisão de ir lá para a Polícia Federal (em 7 de abril de 2018, quando se entregou). Eu poderia ter ido para uma embaixada, mas eu tomei a decisão de ir lá, porque eu preciso provar que o juiz Moro não era juiz, era um canalha que estava me julgando", declarou Lula em frente ao sindicato dos metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, onde foi recebido com uma grande festa por milhares de pessoas.

Foi no mesmo edifício que Lula permaneceu dois dias, cercado por apoiadores, antes de se entregar à polícia em abril de 2018 após uma ordem da Justiça para que fosse detido, já que sua condenação a oito anos de prisão havia sido ratificada em segunda instância.

Anteontem, porém, uma decisão do Supremo Tribunal Federal permitiu a soltura do ex-presidente. A Corte mudou o entendimento sobre a prisão de condenados em segunda instância, que só deve ocorrer a partir de agora após todos os recursos terem sido esgotados.

O ex-presidente dedicou as primeiras palavras a seus seguidores e lhes agradeceu pela solidariedade demonstrada e garantiu não sentir ódio de quem ele considera seus algozes.

"Permaneci na cadeia como quem tem clareza sobre o que quer da vida e o que representa, e também tem clareza de que seus capturadores estão mentindo", bradou.

Lula lembrou que ainda tem processos contra si, os quais classificou como "uma mentira atrás da outra", e garantiu não ter por que sentir culpa. "Cá estou eu, livre como um passarinho. Durmo com a consciência tranquila de um homem justo e honesto", afirmou o petista, que ressaltou que o mesmo não acontece com Moro nem com o atual presidente, Jair Bolsonaro.

"Durmo com a consciência tranquila dos homens justos e honestos. Duvido que Moro durma assim, que os promotores durmam assim e que Bolsonaro durma assim", comparou.

"Tudo o que fizeram foi para me tirar da disputa eleitoral. O que eles não sabem é que vocês não dependem de uma pessoa, vocês dependem do coletivo. Se a gente souber trabalhar direitinho, em 2022 a chamada esquerda, de que o Bolsonaro tanto medo tem, vai derrotar a ultradireita", acrescentou. EFE

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