EFESão Bernardo do Campo (SP)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi solto ontem após passar 580 dias preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, chegou neste sábado ao mesmo local onde havia se entrincheirado em abril de 2018 antes de ser preso, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), onde foi recebido com uma grande festa por milhares de pessoas.

Foi no mesmo edificio que Lula permaneceu dois dias, cercado por apoiadores, antes de se entregar à polícia em abril de 2018 após uma ordem da Justiça para que fosse detido, já que sua condenação a oito anos de prisão havia sido ratificada em segunda instância.

Anteontem, porém, uma decisão do Supremo Tribunal Federal permitiu a soltura do ex-presidente. A Corte mudou o entendimento sobre a prisão de condenados em segunda instância, que só deve ocorrer a partir de agora após todos os recursos terem sido esgotados.

Lula fará um discurso aos simpatizantes que estão na frente do sindicato, mas antes se reúne com a direção do PT no local.

O ex-presidente, que se diz inocente e vítima de "perseguição judicial e política", afirmou ontem em Curitiba, após deixar a Superintendência da Polícia Federal, onde cumpria a pena, que voltará com força total às atividades políticas.

Hoje, através de uma mensagem de vídeo exibida na inauguração da segunda reunião do Grupo de Puebla, realizada em Buenos Aires, Lula disse que pretende viajar pela América Latina e ainda tem o desejo de "integrá-la".

"Estando livre, estou com muita vontade de voltar, tenho um objetivo na ideia de construir uma integração latino-americana muito forte, ainda continuo com o sonho de construir nossa grande América Latina", disse Lula aos participantes do primeiro dia do evento, que reúne líderes políticos de esquerda de 12 países.

O tom da mensagem sobre as instituições e a imprensa brasileiras foi similar ao que adotou ontem em um ato com simpatizantes após sua soltura em Curitiba, quando afirmou que o Estado brasileiro tinha tentado "criminalizar" a esquerda.

"Estou com muita vontade de viajar a América Latina e estou com muita disposição de combater o lado podre do Poder Judicial, da Polícia Federal, do Ministério Público e o lado pode da imprensa brasileira", afirmou Lula em sua saudação ao Grupo de Puebla.

A segunda reunião do Grupo de Puebla foi inaugurada pelo peronista Alberto Fernández, que assumirá a presidência da Argentina em 10 de dezembro, no lugar de Mauricio Macri, a quem derrotou nas eleições de 27 de outubro.

Também participam os ex-presidentes Ernesto Samper (Colômbia), Martín Torrijos (Panamá), Fernando Lugo (Paraguai) e o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim, entre outros.