EFEParis/Berlim

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou em entrevista para a imprensa britânica, considerar que a Otan está em situação de "morte cerebral", opinião que foi prontamente rebatida pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Em uma entrevista publicada nesta quinta-feira pela revista "The Economist", Macron alertou para a "extraordinária fragilidade" da Europa, que não pode mais contar com os Estados Unidos para se defender e alertou que o continente deve começar a refletir "como uma potência no mundo".

Ele descreve como um "pequeno milagre" que nas últimas sete décadas, o mundo tenha construído "uma equação política sem hegemonia, permitindo a paz".

"Mas agora há uma série de fenômenos nos coloca à beira do precipício", afirmou Macron, pedindo para a Europa se mexer e começar a agir "como um poder, pois caso contrário, desaparecerá".

O presidente francês afirmou que, em sua opinião, a construção do continente europeu concentrou-se em um alargamento constante, o que significa "um erro profundo, pois reduziu o propósito político de seu projeto desde a década de 1990".

Paralelamente, os EUA, que nas palavras de Macron são "grandes aliados da Europa", começaram a olhar mais para China, um movimento iniciado no governo de Barack Obama. Mas de acordo com o mandatário francês, "Donald Trump é o primeiro presidente que não compartilha da ideia do projeto europeu e se afasta dele".

Logo após tomar conhecimento das declarações de Macron, a chanceler alemã, que hoje se encontrou em Berlim com o presidente da Otan, Jens Stoltenberg, disse não compartilhar da opinião do francês.

"Macron escolheu palavras drásticas, não é a visão que eu tenho da Otan. A Otan é indispensável, devemos tomar em nossas mãos o destino da Europa, mas acredito que a Otan avançou e tem um trabalho muito mais político do que anos atrás", afirmou.

Angela Merkel também reiterou o compromisso de seu país de atingir a meta de 1,5% de gastos militares até 2024.

"Aumentamos significativamente nossas despesas militares e atualmente estamos negociando os orçamentos do ano que vem", disse. EFE

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