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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, prometeu nesta quinta-feira que seu governo resolverá todos os problemas de abastecimento de água, um bem ao qual, segundo vários estudos, apenas 28% da população do país tem acesso constante.

"Vamos fazer a revolução da água. Na primeira metade de 2022 vamos nos mobilizar para resolver a questão da água para que funcione 100%, sem desculpas, sem bloqueio mental, sem burocracia, sem indolência", comprometeu-se Maduro na cerimônia de posse do novo governador do estado de Miranda, Héctor Rodríguez.

Segundo um estudo da ONG Cidadania em Ação, apenas 28% dos venezuelanos têm água corrente 90% do tempo durante a semana. A situação, que começou há anos, fez com que os venezuelanos tivessem que recorrer a rios, riachos de montanha, nascentes ou cavar poços em suas casas.

Embora as imagens dos moradores de Caracas procurando água em diferentes pontos sejam diárias e generalizadas, especialmente nas colinas que marcam o fim da capital, Maduro disse que só recentemente testemunhou uma dessas cenas.

"Eu estava em um lugar, alguns moradores de Caracas me disseram: 'presidente, aqui neste bairro antes, há um ano, há dois anos, a água não faltava. Agora, não chega, e temos que descer a avenida para buscá-la'", relatou o chefe de Estado.

Diante dessa situação, Maduro alegou ter enviado alguns membros da "inspeção presidencial" que descobriram que havia um funcionário da empresa estatal Hidrocapital que, em suas palavras "controlava a torneira".

"E o senhor em questão, não sei por que, não tinha vontade de abrir a torneira. Houve casos, de repente alguém da extrema direita, coloca US$ 1 mil na mão", especulou o presidente, sem dar qualquer detalhe ou apresentar provas.

Na versão do presidente, ele ordenou que a torneira fosse aberta e agora todo o bairro em questão tem água. Entretanto, ele não fez referência ao restante dos casos de falta de abastecimento, que vêm se multiplicando no país há anos, à origem desses problemas ou que projetos ele realizará para resolver um problema que se agravou durante a pandemia da Covid-19. Isso porque lavar as mãos para evitar o contágio se tornou quase impossível para inúmeros venezuelanos. EFE