EFELima

Uma pesquisa realizada pela empresa Datum indicou que 65% dos peruanos acreditam em "indícios" de fraude nas eleições de 6 de junho, enquanto 47% afirmam que o vencedor deveria ser anunciado e que sirva como aprendizado para os próximos pleitos.

O estudo, que consultou 1.200 pessoas, foi feito enquanto o Júri Nacional de Eleições (JNE) não proclama do vencedor, pois ainda analisa os pedidos de anulação do resultado apresentados principalmente pelo partido da candidata da direita, Keiko Fujimori, que perdeu na apuração oficial.

De acordo com o levantamento, 29% dos entrevistados acreditam que não há indícios de fraude na apuração e 6% disseram não saber.

Com 100% da apuração concluída, o candidato da esquerda, Pedro Castillo, ganhou com 50,12% dos votos, enquanto Keiko recebeu 49,87%, mas a filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) denunciou que o partido do rival se envolveu em "fraude sistemática" e pediu a anulação de milhares de votos.

Não há provas da existência desta fraude. Observadores internacionais, órgãos eleitorais e analistas de dados concordam que não houve irregularidades relevantes, nada além do que é habitual em qualquer outro processo eleitoral.

Segundo a pesquisa, esta percepção de indícios de fraude sobe para 85% entre os eleitores Keiko e representa 50% entre os eleitores de Castillo. Entre os que votaram em branco, a proporção é de 56%.

Quando questionados sobre o que deveria ser feito na atual situação eleitoral, 47% responderam que deveria ser anunciado um vencedor e que o aprendizado serviria para as próximas eleições.

Esta porcentagem é maior entre os eleitores de Castillo (75%) e entre os residentes do centro e do sul do país (63% em ambas as regiões), as áreas de maior apoio ao candidato do partido Peru Livre.

Outros 19% pensam que o JNE deve rever todos os votos contestados e que deve ser tomada uma decisão com base nisso, e 16% cobram uma revisão e recontagem de todos os votos, o que é impossível, uma vez que os votos são fisicamente destruídos após a votação, de acordo com a lei peruana.

Outros 16% propõem a realização de novas eleições, algo que a atual Constituição peruana não contempla.

Sobre a imparcialidade dos órgãos eleitorais, questionada por Keiko e seus apoiadores, a pesquisa indicou que 51% acreditam que o JNE não está agindo de forma imparcial e, de forma semelhante, 49% acreditam que o Gabinete Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) também não está sendo imparcial.

Esta impressão é a maioria entre os eleitores Keiko Fujimori (56% em ambos os casos), enquanto os apoiadores de Pedro Castillo acreditam que o JNE está agindo de forma imparcial (47%) e o ONPE também (50%).

A pesquisa foi realizada nos dias 16 e 17 de junho com 1.200 pessoas por todo o país, com nível de 95% e margem de erro de 2,8%.