EFECabul, Islamabad e Daca

Protestos em massa ocorreram nesta sexta-feira em Afeganistão, Paquistão e Bangladesh contra o presidente da França, Emmanuel Macron, onde com gritos e faixas e cartazes os participantes mostraram indignação com os recentes comentários do político sobre o Islã e o apoio à liberdade de publicação de charges do profeta Maomé.

Na capital de Bangladesh, Daca, onde foram convocados por vários partidos islâmicos, cerca de 20 mil manifestantes se reuniram contra as declarações de Macron após a oração de sexta-feira, disse à Agência Efe o policial Abu Bakar Siddiq.

Os manifestantes exigiram um pedido de desculpas do presidente francês e que o governo convoque o embaixador da França para dar explicações. "A menos que nossas reivindicações sejam ouvidas, pedimos às pessoas que boicotem os produtos franceses", disse à Efe Shahidul Islam Kabir, manifestante e líder da organização Islami Andolan Bangladesh.

Vários protestos também ocorreram em outras partes do país fora das mesquitas, nos quais os manifestantes, em sinal de repúdio, queimaram cartazes com o rosto de Macron.

O porta-voz do grupo islâmico Hifazat-e-Islam Hifazat, Azizul Islam, pediu ao governo que corte os laços diplomáticos com a França caso Macron não se desculpe.

Na semana passada, o presidente francês afirmou durante homenagem ao professor decapitado por exibir algumas charges a seus alunos em uma aula sobre liberdade de expressão, que a França "não desistirá das caricaturas".

BOICOTE CONTRA PRODUTOS FRANCESES.

Em Cabul, milhares de afegãos, a maioria jovens e clérigos islâmicos, protestaram nas ruas para condenar essas declarações, que descreveram como "anti-islâmicas".

O protesto na capital do Afeganistão, que começou logo após as orações de sexta-feira na Grande Mesquita Central, foi convocado pela Sociedade Juvenil Muçulmana Afegã, uma organização de jovens voluntários que estão presentes em 31 das 34 províncias o país.

"O principal objetivo do protesto é condenar o insulto do presidente francês ao Islã e ao profeta do Islã, e pedir aos ocidentais que não vejam os muçulmanos e o Islã como inimigos sem uma razão lógica", disse Saif-ul-Islam, um dos organizadores da manifestação.

Entre palavras de ordem como "morte à França, morte ao presidente francês, nós amamos Maomé", os manifestantes condenaram as declarações de Macron e mostraram sua indignação rasgando cartazes com sua imagem.

Os afegãos ecoaram os apelos de outros países muçulmanos para que "boicotassem os produtos franceses".

Já em Islamabad, capital do Paquistão, manifestantes gritavam "Queremos a cabeça do blasfemador" e "Em nome do profeta, a morte é aceita", cerca de mil manifestantes tentaram chegar à embaixada da França, mas foram impedidos pelos policiais.

Quase todos jovens, os manifestantes entraram em confronto com as forças de segurança, que responderam jogando bombas de gás.

Outros protestos também foram realizados nas cidades paquistanesas de Karachi, Lahore e Peshawar, com pedidos de boicote aos produtos franceses e fotos de Macron foram colocadas no chão para serem pisoteadas.

As palavras do presidente francês provocaram uma onda de condenação em todo o mundo islâmico que se multiplicou hoje, quando, além de ser sexta-feira, dia sagrado dos muçulmanos, é comemorado o aniversário do nascimento de Maomé.