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Centenas de pessoas se manifestaram nesta sexta-feira na Faixa de Gaza para protestar pelo segundo dia consecutivo contra o aumento do custo da vida e dos impostos neste território, governado de fato desde 2007 pelo grupo islamita Hamas.

Um grupo de jovens e ativistas digitais criou o movimento popular "Queremos viver", que convoca mobilizações populares e não politizadas para criticar uma recente alta de impostos sobre dezenas de bens de consumo em Gaza.

A "revolução dos famintos", nome que foi utilizado como hashtag para divulgar as manifestações nas redes sociais, convocou hoje centenas de pessoas na cidade de Deir al Balah, na região central de Gaza.

Os manifestantes voltaram às ruas depois que ontem a polícia do Hamas reprimiu violentamente os protestos com o argumento de que as manifestações tinham sido organizadas sem permissão das autoridades.

Além disso, há poucos dias, organizações de defesa dos direitos humanos na Faixa de Gaza acusaram os serviços de segurança do Hamas de prender 12 ativistas por convocarem a mobilização.

Israel, que como os Estados Unidos e a União Europeia, entre outros, considera o Hamas uma organização terrorista, impôs um bloqueio sobre o enclave quando o grupo islamita tomou seu controle após expulsar as forças de segurança leais ao movimento nacionalista Al Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

Sob o controle islamita, o bloqueio reforçado pelo fechamento intermitente da fronteira egípcia (a única que não passa por Israel), três grandes operações militares e a divisão política com o partido Al Fatah do presidente Mahmoud Abbas, que nos últimos anos se traduziu em sanções econômicas, as possibilidades de desenvolvimento do enclave litorâneo foram limitadas.

A Faixa de Gaza está cada vez mais empobrecida e os manifestantes reivindicam uma vida mais digna, com mais oportunidades para uma população, de mais de 2 milhões de pessoas, que nos últimos anos viu como o índice de desemprego subiu até 52%, segundo o último relatório do Escritório Central de Estatística Palestino, e tem uma renda per capita diária que não chega a US$ 2. EFE

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