EFENova Déli

O governo de Nova Déli anunciou nesta terça-feira que identificou uma mesquita na cidade como o foco da propagação do novo coronavírus na Índia, com dezenas de infectados e sete mortos, participantes de um evento com peregrinos de vários países, apesar do confinamento imposto pelas autoridades.

"Os organizadores do evento cometeram um crime grave", disse o chefe do Departamento de Saúde do governo de Nova Déli, Satyendar Jain.

O integrante da administração regional explicou que o complexo onde a mesquita está inserida recebeu cerca de 300 fiéis, em um alojamento, garantiu que foi dada ordem para que seja formalizada uma denúncia contra os organizadores do evento religioso.

Fontes do Departamento de Saúde de Nova Déli explicaram que mais de mil pessoas foram retiradas do complexo religioso de Markaz, no bairro Nizamuddin, no sul da capital. Cerca de 300 foram levadas ao hospital por apresentarem sintomas compatíveis com os da Covid-19. O restante, assintomático, foi levado para um centro de quarentena.

"Chegaram alguns relatos de testes realizados no local e 24 são positivos", relatou à Agência Efe uma das fontes.

O complexo religioso foi fechado e que o local que serviu de alojamento e a mesquita passarão por processo de desinfecção.

O Gabinete do Chefe de Governo do estado de Telangana, no sul da Índia, informou pelo Twitter que seis pessoas que estiveram na congregação religiosa de Markaz, entre 13 e 15 de março, morreram após contrair o novo coronavírus.

"Equipes especiais estão identificando pessoas que podem estar em risco de contrair o coronavírus para serem transferidas para hospitais", detalhou.

O gabinete ainda pediu aos participantes do evento religioso que voluntariamente se dirijam aos hospitais para realizar o teste e receber tratamento.

Na última quinta-feira, o porta-voz do governo de Jammu e da Caxemira, Rohit Kansal, também relatou no Twitter a "primeira morte por coronavírus" na região: um homem de 65 anos que mais tarde seria identificado pela mídia local como um imã que também participou do encontro religioso na capital indiana.

O evento foi organizado pelo movimento islâmico sunita "Tablighi Jamaat", que é apolítico e incentiva os fiéis em todo o mundo a seguir uma forma básica e puritana do Islã. O braço religioso do grupo surgiu há um século na Índia e está baseado na mesquita de Nizamuddin.

Em uma carta à polícia na segunda-feira e transmitida nas redes sociais hoje, o centro internacional Tablighi Jamaa pediu desculpas, e garantiu que após o evento alguns peregrinos permaneceram no complexo como de costume, já que há alojamentos.

"Essas pessoas já estavam lá, dentro do complexo de Markaz antes e na época em que o confinamento foi promulgado e ninguém mais pôde entrar", disse a carta, assinada pela representante do centro, Moulana Yousuf.

Ele explicou ainda que antes do confinamento inicial de um único dia na Índia, decretado em 22 de março, o complexo já havia sido desocupado, mas a situação foi complicada pela ordem definitiva do governo do páis de impor a partir da última quarta-feira o confinamento obrigatório em todo o país por 21 dias.

Por esse motivo, muitos indianos e estrangeiros permaneceram "confinados e isolados" no complexo, segundo a carta, que acrescentou que receberam a visita de uma equipe médica em 25 de março e outra no dia 28, dia em que 33 deles foram transferidos para hospitais.

Entre os estrangeiros que participaram da reunião religiosa, havia indonésios e tailandeses, além de vários outros países da região, como Cingapura, Mianmar, Nepal e Bangladesh, além de alguns cidadãos europeus e africanos, segundo relatos da mídia local.

De acordo com boletim divulgado nesta terça-feira, o número de infectados pelo novo coronavírus na Índia era de 1.117. O total de mortes é de 32.