EFELa Paz

O Ministério Público da Bolívia anunciou neste domingo que vai processar os membros do Tribunal Supremo Eleitoral por "supostos atos irregulares" nas eleições de 20 de outubro, após o presidente do país, Evo Morales, anunciar a repetição do pleito, como havia sido pedido pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em comunicado, o Ministério Público disse que as irregularidades "muito graves" detectadas pela OEA em auditoria podem acarretar "ilícitos penais e eleitorais vinculados à apuração dos resultados oficiais".

A Procuradoria Departamental de La Paz, onde fica a sede central da corte eleitoral, tem a autorização de iniciar imeadiatamente, segundo o MP, as ações legais para processar os integrantes do tribunal responsável pelo pleito de 20 de outubro.

Essas ações terão também como alvos outros possíveis "autores e participantes desses supostos atos irregulares", acrescenta a nota.

Uma comissão de procuradores da área de investigação do MP será responsável pelos trâmites necessários, como os requerimentos e a determinação de medidas cautelares.

Os procuradores das nove regiões do país receberam ordem de abrir ações penais contra os juízes e "servidores públicos que correspondam" a cada delegação departamental do tribunal.

De manhã, a OEA divulgou um relatório que adverte sobre sérias irregularidades na apuração dos resultados das eleições, nas quais Morales venceu em primeiro turno e se elegeu para o quarto mandato consecutivo.

Pouco depois, embora sem citar a OEA, Morales anunciou que convocou novas eleições para "pacificar" o país, imerso em uma grave crise desde o dia seguinte ao pleito, quando começou uma onda de protestos nos quais ao menos três pessoas morreram e 421 ficaram feridas, segundo dados oficiais. EFE

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