EFEHelsinque

O governo da Finlândia não pretende intervir na situação dos três ativistas de nacionalidade paraguaia que fugiram para o país, após perderem o status de refugiados no Brasil, segundo indicou nesta quinta-feira a ministra do Interior, Maria Ohisalo.

A titular da pasta se manifestou sobre o caso, por meio de carta enviada ao Parlamento, em resposta ao questionamento do deputado do partido Verdadeiros Finlandeses, de extrema-direita, Jari Ronkainen.

"Nem o Ministério do Interior, nem o governo, intervêm na tramitação de pedidos individuais de asilo ou de permissão de residência, nem no conteúdo das resoluções", escreveu Ohisalo.

A ministra explicou que a pasta é responsável pelas políticas e pela legislação sobre imigração e asilo, mas não se intromete na avaliação de cada caso, algo que, segundo ela, é de competência exclusiva aos funcionários do Serviço de Imigração do país.

No início de outubro, Juan Arrom, Anuncio Martí e Víctor Colman, do extinto Partido Pátria Livre, de esquerda, que são acusados pela Justiça do Paraguai de terem sequestrado Maria Edith Bordón, nora do ex-ministro Enzo Debernardi, em 2002, deixaram Montevidéu na noite de terça-feira em um voo rumo à Finlândia.

Em 2003, os três vieram para o Brasil, acusando a Polícia Nacional de torturá-los para forçar uma confissão do crime e receberam status de refugiados do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em setembro, todos perderam a condição, por decisão do atual chefe de governo, Jair Bolsonaro.

A ministra não quis dar detalhes sobre a situação dos paraguaios, nem sobre a forma com que chegaram à Finlândia, sob a alegação de que todos os pedidos de asilo são confidenciais, de acordo com as leis locais.

Atualmente, o governo do Paraguai negocia com o finlandês a extradição de Arrom, Martí e Colman, para que sejam julgados no país sul-americano. Um grupo de senadores paraguaios, inclusive, chegou a anunciar viagem para Helsinque, o que ainda não aconteceu.