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O Ministro de Mineração, César Navarro, pediu demissão de maneira irrevogável neste domingo depois que um grupo de pessoas ateou fogo em sua casa, na cidade de Potosí, e se tornou a primeira baixa do governo da Bolívia após a crise posterior às eleições do mês passado.

"Apresentei minha demissão porque acredito que é um momento doloroso. Pedi demissão irrevogável ao cargo de Ministro de Estado", disse Navarro em um contato telefônico com o canal de televisão "PAT", tornando-se o primeiro a sair desde que o presidente Evo Morales foi reeleito para um quarto mandato.

O agora ex-ministro lamentou a violência "muito forte" latente em Potosí e denunciou que sua casa na cidade, no oeste da Bolívia, foi incendiada, que a multidão bateu em seu sobrinho e que agora um grupo está tentando entrar na casa de sua mãe.

"É um fato que não tem explicação, como o discurso geral da raiva, do ódio está derivando nesses atos incontroláveis de violência", reclamou.

A ministra da Saúde, Gabriela Montaño, culpou os opositores Carlos Mesa e Luis Fernando Camacho pelas ações contra Navarro e sua família e exigiu o fim da violência.

César Navarro é o primeiro ministro de Morales a se desde a crise, mas ocupantes de outros cargos importantes também fizeram o mesmo. Neste sábado, um governador e dois prefeitos do Movimento para o Socialismo renunciaram. Hoje, foi a vez do senador de Potosí, René Joaquino.

Os conflitos começaram no último dia 21, dia seguinte às eleições e quando tiveram início as suspeitas de manipulação de votos para favorecer a reeleição de Morales para um novo mandato, até 2025.