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O Ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Ernesto Talvi, apresentou sua renúncia nesta quarta-feira, apesar de pretender permanecer no cargo até o final do ano, quando termina a presidência temporária do Mercosul, que o país assumirá nesta quinta-feira.

Em carta enviada ao presidente do país, Luis Lacalle Pou, e publicada no Twitter, o ministro lembra que manifestou sua intenção de se manter no Ministério para finalizar os acordos com a União Europeia e a Associação Europeia de Comércio Livre (Efta), para os quais, segundo ele, a pasta trabalhou intensamente. Ele também quer retomar as negociações com Canadá, Cingapura e Coreia do Sul.

"Entendo, no entanto, que os tempos no gabinete são estabelecidos pelo presidente da República. Por meio deste documento apresento minha renúncia ao cargo. Nada poderia estar mais longe de minha intenção do que impedir seu desejo de nomear o Ministro das Relações Exteriores que considerar mais apropriado para acompanhar sua gestão", escreveu.

"Tem sido um privilégio servir os cidadãos do Uruguai a partir do Ministério das Relações Exteriores durante este tempo em que tivemos que enfrentar desafios extremamente complexos", completou.

O ministro das Relações Exteriores, que está no cargo desde 1º de março, quando tomou posse como novo governo do Uruguai, anunciou em 11 de junho que havia decidido sair do cargo para assumir outro na política do país, sem qualquer especificação.

A notícia de que seu sucessor seria o embaixador do Uruguai na Espanha, Francisco Bustillo, antecipada nesta terça-feira pela imprensa uruguaia e confirmada hoje à Agência Efe por fontes diplomáticas em Madri, levou Talvi a pedir demissão.

O economista de 63 anos, líder do setor 'Ciudadanos' do Partido Colorado (PC, centro-direita), foi candidato à presidência do Uruguai nas eleições de outubro do ano passado. No segundo turno, apoiou o então candidato do Partido Nacional (PN, centro-direita), Luis Lacalle Pou, contra o governista Daniel Martínez, em uma tentativa de tirar a Frente Ampla (FA, esquerda) do poder após 15 anos - dois mandatos de Tabaré Vázquez e um de José Mujica.

O apoio de Talvi na formação da coalizão que inclui três outras formações (Partido Independente, Cabildo Abierto e Partido Popular) o levou a ocupar uma das pastas mais importantes do governo de Lacalle Pou.