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O ministro britânico encarregado do Brexit, Stephen Barclay, negou nesta quarta-feira que a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, planeje oferecer aos deputados, dias antes da saída da União Europeia (UE), escolher entre o seu acordo negociado com Bruxelas ou um atraso na separação.

"May foi muito clara: estamos comprometidos a sair (da UE) em 29 de março", declarou Barclay à rede de TV "BBC".

A imprensa afirma hoje que um jornalista da emissora "ITV" escutou em um bar de Bruxelas o funcionário britânico que negocia com a UE, Olly Robbins, comentar com outra pessoa que os deputados terão, no último momento, a opção entre o pacto selado por May ou um atraso prolongado do Brexit. Uma ampliação do período de retirada do bloco é rejeitada pelos conservadores mais eurocéticos, entre eles o influente ex-ministro de Relações Exteriores Boris Johnson.

"Não é do interesse de ninguém ter uma extensão sem qualquer clareza (da situação). Isto altera muito o Parlamento Europeu. Eles obviamente têm eleições para o Parlamento e uma Comissão que se formará no final de maio, então não há desejo do lado europeu de ver o que alguém qualificou como 'extensão na escuridão ", acrescentou Barclay.

Além disso, o ministro indicou que espera dar às Câmaras de Comércio do Reino Unido (BCC, em inglês) mais informação nos próximos dias sobre a incerteza que o Brexit gera, principalmente se um acordo de retirada não for alcançado.

A BCC indicou que há muitos assuntos não resolvidos, como o movimento de trabalhadores entre o Reino Unido e a UE. A entidade, que representa milhares de empresas, afirmou também que os seus membros estão "profundamente preocupados" sobre o Reino Unido estar preparado para o que pode ocorrer depois de 29 de março.

De acordo com o diretor-geral do BCC, Adam Marshall, a falta de clareza sobre o que acontecerá dificulta o investimento e o crescimento.

Um porta-voz do governo insistiu que "a melhor forma de apoiar a economia, proteger empregos e proporcionar certeza aos negócios e pessoas ao sair (da UE) é respaldando o acordo que negociado com a UE".

Em janeiro, os deputados rejeitaram o acordo do Brexit pela polêmica salvaguarda irlandesa, pois prevê que o Reino Unido permaneça na união aduaneira e que a Irlanda do Norte também esteja alinhada com certas normas do mercado único até que seja estabelecida uma nova relação comercial entre ambas as partes. Essa garantia foi incluída no pacto para evitar uma fronteira física entre as duas Irlandas e não prejudicar a economia e o processo de paz na Irlanda do Norte.

May procura uma garantia vinculativa para garantir que o país não permanecerá indefinidamente atado às normas do mercado único europeu se o Reino Unido e Bruxelas não chegarem a um acordo sobre a futura relação depois do Brexit.

Após a rejeição do acordo, a Câmara dos Comuns aprovou recentemente uma emenda que demanda ao governo "regras alternativas" à garantia para a Irlanda do Norte.