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Milhares de moradores dos bairros de Madri afetados pelas restrições de mobilidade que serão aplicadas na segunda-feira, para conter a pandemia de Covid-19, protestaram neste domingo por considerarem as medidas "segregacionistas".

A partir desta segunda-feira, cerca de um milhão de pessoas de 37 áreas sanitárias, divididas por seis distritos da capital espanhola e outros sete municípios da região, estarão proibidas de sair dessas zonas, que concentram 13% da população e 25% dos contágios em Madrid, exceto para atividades imprescindíveis, como ir ao trabalho.

O limite das reuniões será reduzido de dez para seis pessoas, haverá uma redução geral das capacidades para 50% e um milhão de testes serão realizados para identificar pessoas infectadas pela Covid-19.

"São medidas que chegam mal e tarde, como sempre, e que não são suficientes. Se tivessem sido tomadas antes, acho que estaríamos melhor em Madri", disse Alejandro, de Villa de Vallecas, um dos bairros afetados.

Na opinião do morador, "se as pessoas continuarem a pegar o metrô para o trabalho apertadas como se estivessem em uma lata de sardinha, o contágio não vai parar".

Acabar com a precariedade dos serviços de saúde é uma necessidade para estes bairros, como denunciou à Agência Efe outra moradora, Mery, que lamenta que não tenham sido feitos esforços mais firmes para fortalecer as equipes de saúde e adverte sobre o estigma que pode ocorrer contra as pessoas que vivem em áreas isoladas.

"O que deveriam ter feito era aumentar os cuidados com a saúde e aumentar o transporte público. A saúde tem sido sobrecarregada durante todo o verão e ninguém foi contratado", insistiram vários manifestantes.

Em Puente de Vallecas, o distrito de Madri com maior incidência do coronavírus Sars-CoV-2 (1.903,96 casos por 100 mil habitantes) - os residentes foram acompanhados por representantes da coalizão esquerdista Unidas Podemos, que governa a Espanha com o Partido Socialista (PSOE).

A porta-voz do grupo no parlamento regional de Madri, Isa Serra, pediu a demissão da presidente da comunidade, a conservadora Isabel Díaz-Ayuso, e acusou o partido da governante, Partido Popular (PP), de orquestrar confinamentos "segregacionistas, injustos e ineficazes".

Os protestos se espalharam por quase todas as áreas afetadas pelas restrições e até mesmo pelas áreas adjacentes aos confinamentos.

As novas medidas chegam depois Madri ter registrado durante várias semanas o maior número de infecções em toda a Espanha, com números que triplicam os de outras áreas do país e um aumento preocupante da pressão hospitalar, com 64% das unidades de terapia intensiva (UTI) ocupadas por pacientes com Covid-19.

Os últimos dados oficiais, divulgados na sexta-feira passada, colocam Madri à frente das regiões espanholas mais afetadas pelo vírus, com 1.553 novos casos registrados em 24 horas, e como uma das capitais mais afetadas pela pandemia no mundo.