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O ex-presidente do Peru, Alan García, morreu na manhã desta quarta-feira em um hospital em Lima enquanto passava por cirurgia, depois que ele mesmo atirou contra a própria cabeça.

García tentou se suicidar quando estava prestes a ser detido devido a uma ordem judicial emitida por supostos crimes de corrupção vinculados ao caso Odebrecht.

Fontes do Partido Aprista Peruano (PAP) e o atual presidente do Peru, Martín Vizcarra, confirmaram que o ex-governante morreu enquanto era operado no hospital Casimiro Ulloa da capital, para onde ele foi transferido com urgência pelos agentes da polícia que tinham chegado à sua residência para detê-lo.

O anúncio da morte foi feito, em primeira mão, pelo secretário pessoal de García, Ricardo Pinedo, aos jornalistas que esperavam do lado de fora do hospital.

A morte também foi confirmada quase que imediatamente pelo presidente Vizcarra, em seu perfil oficial no Twitter.

"Estou consternado pelo falecimento do ex-presidente Alan García. Envio minhas condolências à família e a seus entes queridos", escreveu Vizcarra.

Alan García morreu aos 69 anos de idade após atirar contra a própria cabeça, quando estava prestes a ser detido pela polícia, e depois de ter sofrido três paradas cardiorrespiratórias.

O diretor do hospital, Enrique Gutiérrez, afirmou que o ex-governante apresentava um disparo de arma de fogo no crânio "com orifício de entrada e saída" e que todos os médicos do Casimiro Ulloa participaram da operação para tentar salvar sua vida.

Alan García foi internado em meio a uma grande confusão no hospital para o qual foi levado pelos policiais que compareceram a sua residência para cumprir a ordem judicial.

De acordo com testemunhas consultadas pela televisão peruana, García estava coberto por uma manta vermelha e, pouco depois, chegaram ao hospital um de seus filhos e representantes do PAP.

O fato aconteceu quando agentes da Divisão de Investigação de Crimes de Alta Complexidade foram até a casa do político, sobre quem pesava desde o fim do ano passado uma ordem de impedimento de saída do país, para submetê-lo a uma detenção provisória de dez dias ordenada pela Justiça peruana.

Além de García, a Justiça ordenou a detenção de Luis Nava, secretário presidencial durante o governo do líder do PAP, e Miguel Atala, ambos colaboradores próximos do ex-presidente e apontados como seus "laranjas".

Também foram alvo da operação o ex-ministro de Transportes e Comunicações e de Habitação e Construção, Enrique Cornejo, que se entregou à Justiça horas depois, e outros cinco ex-funcionários do governo García.

A situação legal de García se complicou depois que veio à tona no domingo passado que a empresa Odebrecht, dentro do acordo de leniência que mantém com a Justiça peruana, revelou que Nava e seu filho José Antonio receberam US$ 4 milhões de propina da construtora brasileira para conseguir o contrato de construção da Linha 1 do metrô de Lima.