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O Movimento Cinco Estrelas (M5S) e a Liga Norte (LN) fecharam o pacto com o qual preveem formar Governo na Itália, no qual incluem discutir alguns tratados europeus, sobretudo sobre o sistema econômico, repatriações maciças de imigrantes e a chamada "flat tax" ou imposto único, segundo anunciou o líder do M5S, Luigi Di Maio.

Di Maio, em um vídeo postado no Facebook, afirmou que o acordo foi assinado entre todas as partes e convidou os militantes a votá-lo na internet até 20h local de hoje (15h, em Brasília).

O texto deste pacto tem 57 páginas e contém 23 pontos sobre o programa de Governo, embora não revela quem será o presidente do Governo.

"Foram 70 dias intensos, mas o que alcançamos é um pacto de Governo que com as nossas propostas, com a nossa ideia de país e as nossas batalhas históricas. Neste acordo estão as pessoas que encontrei em campanha eleitoral, a qualidade de vida das mães que trabalham, os jovens da minha geração, as famílias em dificuldade e os trabalhos (...). Estão os italianos", explicou Di Maio no vídeo.

O líder do M5S convidou os militantes a respaldarem este acordo para serem parte da onda de mudanças. "Se sintam orgulhosos porque uma nova era está por começar", acrescentou.

Di Maio pediu para que os cidadãos não deem ouvidos "ao que diz a imprensa italiana e os burocratas de Bruxelas" e que deem sinal verde "para assinar o pacto e para o início da mudança".

A Liga também tinha anunciado que consultaria seus militantes sobre o acordo.

Neste "pacto para o Governo de mudança", as duas forças abordam o papel que a Itália desempenhará na União Europeia e reivindicam "o pleno cumprimento" dos objetivos no Tratado de Maastricht de 1992.

Entre estes objetivos reivindicam "fixar as linhas de Governo à demanda e oferta global com o objetivo de alcançar o objetivo acordado de promover um progresso econômico e social equilibrado e sustentado" e aplicar ao Banco Central Europeu (BCE) "o estatuto vigente dos principais bancos centrais do mundo".

O pacto contém uma medida que ambos levavam em seus programas, a reforma da lei de previdência. Ao invés de a idade de aposentadoria ser 67 anos a partir de 2019, propõem o que chamaram "cota 100 " e que consentirá aos cidadãos se aposentar quando a soma dos anos de idade e de contribuição chegam a 100, ou seja, será possível por exemplo se aposentar com 64 anos de idade e 36 de contribuição.

O M5S incluiu a renda para os cidadãos, um subsídio para as pessoas com dificuldades econômicas que será de 780 euro mensais se viverem sozinhas e durante um máximo de dois anos.

Também inclui uma redução de impostos para todas as rendas, defendida pela Liga, que implicará em uma despesa de 5 bilhões de euros e consistirá no anunciado imposto único ou "flat tax" para as empresas e famílias, que oscilará entre 15% e 20%.

Em matéria de imigração, afirmam que "é necessário superar o regulamento de Dublin" e propõe "sedes de permanência temporárias de imigrantes destinados à repatriação".

Segundo este acordo, na Itália existem cerca 500 mil imigrantes irregulares e portanto propõem uma série e eficaz política de repatriações, que definem como prioritária.