EFEAncara

Uma multidão atacou neste domingo fisicamente o líder opositor turco Kemal Kiliçdaroglu, dirigente do partido social-democrata CHP, segundo no Parlamento e ganhador de várias importantes prefeituras nas eleições de 31 de março, como as de Istambul e Ancara.

Kiliçdaroglu participava junto com o recém-eleito prefeito de Ancara, Mansour Yavas, no funeral de um soldado morto em um combate contra a guerrilha curda, o PKK, quando foi atacado por várias pessoas, aparentemente por motivos nacionalistas.

"Começaram a gritar slogans contra Kiliçdaroglu, inclusive durante a reza, reprovando seu comparecimento. Depois, agrediram ele e a mim também", disse à Agência Efe por telefone um vice-presidente do CHP, Yildirim Kaya, que acompanhava o líder opositor quando ocorrerm as agressões.

A televisão turca "NTV" mostra homens e mulheres enfurecidas tentando atingir Kiliçdaroglu e os que o rodeavam, enquanto alguns militares tentavam intervir.

"Era uma tentativa de linchamento e foi planejada. Não havia medidas de segurança, embora o ministro de Defesa estivesse ali, além de outros altos funcionários. Os agressores não eram gente qualquer; era um grupo organizado que incitou à multidão", denunciou Kaya.

A polícia acabou levando Kiliçdaroglu para uma residência próxima, mas os agressores lançaram pedras contra o local, segundo confirmou outra testemunha, o deputado social-democrata Seyit Torun.

Durante a recente campanha eleitoral, o CHP recebeu apoio do partido esquerdista HDP, terceiro do Parlamento, que defende os direitos da minoria curda e ao qual muitos nacionalistas consideram o braço político do PKK.

O próprio presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, tinha acusado Kiliçdaroglu durante a campanha de ter se aliado "aos terroristas".

Em 31 de março, em parte graças ao apoio do HDP, que retirou seus candidatos em importantes municípios e pediu aos seguidores que votassem nos social-democratas, o CHP conquistou as prefeituras de Ancara e Istambul, diante de em mãos do partido islamita AKP, que governa a Turquia desde 2002.

O AKP e seu aliado, o ultranacionalista MHP, não aceitaram ainda a perda de Istambul, onde o candidato social-democrata, Ekrem Imamoglu, venceu com uma margem de 0,15% dos votos, e pediram a repetição do pleito ao alegar fraude.

Hoje mesmo, Imamoglu realizava um comício diante de dezenas de milhares de seguidores em uma esplanada de Istambul.