EFEBuenos Aires

Ministro da Justiça durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo pediu nesta terça-feira, em Buenos Aires, a renúncia de Sergio Moro após o site "The Intercept Brasil" ter revelado diálogos que sugerem que o então juiz orientou procuradores da Lava Jato no processo que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão.

"É insustentável a posição do ministro Moro e por isso a única saída correta é a renúncia", disse Cardozo, que também foi advogado-geral da União no governo de Dilma, em entrevista à emissora de rádio "La Patriada".

Para Cardozo, a prisão de Lula faz parte de um "processo de desestabilização democrática que está em curso nos países da região, inclusive na Argentina.

O site "The Intercept Brasil" divulgou conversas que teriam ocorrido no aplicativo Telegram entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol, responsável pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

As mensagens sugerem que Moro orientou Dallagnol durante a investigação que levou Lula à prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Esse tipo de conduta, segundo especialistas, é proibido pelo Código Penal.

"Moro conduziu o processo do presidente Lula com parcialidade, com objetivo político e clara e indiscutível intenção", disse Cardozo na entrevista.

O ex-ministro da Justiça indicou que as provas reveladas pelo "The Intercept" podem ser utilizadas pela defesa de Lula, mas não como peças de acusação contra Moro.

Além disso, Cardozo considerou que, se a parcialidade do atual ministro de Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro for provada, a Justiça deve anular os processos contra Lula e libertar o ex-presidente imediatamente.

"Eu pessoalmente acho que esses fatos são suficientes para que se possa reconhecer a ilegalidade dos processos e das penas contra o presidente Lula", analisou o ex-ministro.

Do ponto de vista político, Cardozo avaliou que é impossível que o caso não afete Bolsonaro, já que Moro é um fator importante na popularidade do governo.

Para o ex-ministro, as conversas divulgadas pelo "The Intercept Brasil" colocam a Lava Jato em xeque e fazem parte de um processo que, segundo ele, teria relações internacionais e que visariam desestabilizar as democracias da região.

"O mesmo pode ocorrer na Argentina", sugeriu Cardozo, sem citar especificamente as acusações por corrupção contra a ex-presidente Cristina Kirchner.