EFETóquio

A Nissan Motor disse nesta quinta-feira que seu ex-presidente, o brasileiro Carlos Ghosn, usou fundos pertencentes à empresa para pagar viagens, eventos e outras despesas pessoais no exterior, em um relatório apresentado pela empresa ao regulador do mercado de ações japonês.

Ghosn é acusado de cometer infrações financeiras no Japão, depois da própria empresa revelar para as autoridades uma série de irregularidades relacionadas à declaração de seus lucros e, de acordo com a Nissan, também usou o dinheiro da empresa para pagar por uma série de atos de caráter particular.

A empresa identificou essas despesas após realizar uma investigação interna sobre "possíveis violações da política e da lei da empresa e o uso inadequado de fundos comerciais para seu próprio benefício", conforme declarado no documento enviado ao operador da Bolsa de Valores de Tóquio.

Entre eles, há US$ 22 milhões (R$ 91 milhões) para comprar e reformar casas para uso próprio no Rio de Janeiro e Beirute ou pagamentos de US$ 750 mil (R$ 3,1 milhões) em taxas de consultoria para uma irmã de Ghosn "sem que a empresa recebesse nada em troca".

Também são mencionados os US$ 4,4 milhões (R$ 18,2 milhões) que custaram à Nissan o uso de um jato corporativo para viagens pessoais de Ghosn e sua família e pelo menos 3,9 milhões de euros (R$ 18 milhões) desembolsados para despesas aparentemente pessoais do ex-diretor da RNBV, subsidiária da Nissan e da Renault.

Essas despesas incluem uma festa no Palácio de Versalhes, "o convite e entretenimento dos convidados" no Carnaval do Rio e no Festival de Cannes, além de jantares e presentes de luxo ou os serviços de um escritório de advocacia no Líbano, um país onde a Nissan não opera, de acordo com o relatório da empresa.

Algumas dessas despesas foram cobradas pela imprensa japonesa, embora não façam parte da declaração de acusações formais contra Ghosn, que inclui um suposto crime de abuso de confiança da Nissan por ter usado os fundos da empresa para cobrir perdas financeiras pessoais e outros pagamentos injustificados.

O documento também inclui todos os valores que foram objeto de acusação formal contra Ghosn, e nele a Nissan afirma que o ex-executivo "determinou de maneira substancial e por si mesmo" as compensações para toda a administração da empresa e sem compartilhá-las com outros departamentos.

A empresa enviou esse relatório ao regulador do mercado de ações como parte dos compromissos assumidos com as autoridades para a melhoria de sua gestão e sua estrutura corporativa após o caso Ghosn.

O brasileiro foi retirado de suas funções no comando da Renault e Nissan após sua prisão em Tóquio, no dia 19 de novembro de 2018, por supostas irregularidades financeiras.

No final de dezembro, ele violou as condições de sua fiança e fugiu do Japão.