EFESantiago de Chile

Os integrantes dos Carabineiros, o corpo de polícia ostensiva do Chile, estão em xeque devido a atuação durante os protestos populares que já duram cerca de 40 dias no país, com questionamento sobre a capacidade para garantir a segurança nas ruas e recompor a ordem pública.

Ontem à noite, foram registrados 12 incêndios, 54 saques, 12 atos de dano ao patrimônio público e 14 ataques a quartéis em todo o país, de acordo com relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério do Interior, o que aumentou os questionamentos sobre a atuação da corporação.

A polícia chilena vem recebendo diversas denúncias de violações de direitos humanos durante a repressão aos protestos, feitas por organismos internacionais como a Human Rights Watch (HRW), a Anistia Internacional (AI) e também pelo Instituto Nacional de Direitos Humanos do Chile.

RETIRADA.

A polêmica sobre a capacidade do corpo de Carabineiros ganhou força ontem, depois do vazamento de um suposto áudio de um carabinero que, ao presenciar o saque em um centro comercial na cidade de El Belloto, na região de Valparaíso, admitiu que os agentes precisaram se retirar por estarem sobrecarregados.

"Tenho carabineros lesionados, veículos depredados, coquetéis molotov, não tenho gás, não posso atirar. Não somos obrigados a fazer o impossível. Encaramos no corpo a corpo, praticamente. Mais não podemos", afirma o suposto policial.

O ministro da Defesa do Chile, Alberto Espina, confirmou nesta quarta-feira, na Comissão de Defesa da Câmara dos Deputados, que os agentes das forças de segurança estão fazendo além do que podem.

"A situação que o país está vivendo é extremamente crítica, em matéria de segurança. Está se chegando a níveis de violência que não eram registrados no Chile desde o retorno da democracia. Policiais e carabineros estão totalmente sobrecarregados", disse.

REFORÇOS.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou hoje que foram deslocados para as ruas 2.505 novos agentes dos Carabineros, como medida para tentar conter a violência no país, que classificou de "extremas", com os distúrbios e conflitos desta terça-feira.

O governo colocará em serviço, oficiais recém-formados da academia. Nos próximos dois meses, o total de recrutas nas ruas superará os 4,5 mil. EFE

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