EFEGenebra

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, denunciou nesta sexta-feira que a situação das liberdades fundamentais em Belarus piorou nas últimas semanas, e que tanto ela como vários ministros europeus pediram a libertação de manifestantes ainda presos.

"É urgente que o governo de Belarus ponha fim às atuais violações dos direitos humanos", destacou a alta comissária em um debate sobre a situação do país no Conselho de Direitos Humanos.

A ex-presidente chilena disse que "nas últimas semanas houve uma deterioração contínua da situação dos direitos humanos no país" e apelo ao regime de Aleksander Lukashenko para, entre outras coisas, "libertar imediatamente todos os detidos de forma injusta ou arbitrária" e respeitar o direito à reunião pacífica.

Bachelet disse que, desde o início dos protestos em agosto, mais de 27 mil pessoas foram presas, e só no mês passado houve mais de 1.700 detenções na sequência dos protestos de 8, 15 e 30 de novembro.

Segundo ela, as autoridades estão aumentando a punição dos manifestantes, que nos primeiros meses costumavam cumprir um máximo de 15 dias de detenção administrativa, enquanto nas últimas semanas começaram a ser aplicados artigos do código penal que implicam penas de prisão mais longas.

Bachelet também expressou preocupação com a contínua perseguição de políticos da oposição, jornalistas, blogueiros, advogados e defensores dos direitos humanos, e com o uso da violência policial para dispersar manifestações com o uso de gás lacrimogêneo, canhões de água, balas de borracha e outras medidas "desproporcionais".

Esta repressão resultou na morte de pelo menos quatro manifestantes, recordou Bachelet, que também mencionou relatos de espancamentos de manifestantes em delegacias, centros de detenção e durante o transporte para estas instalações.

A diplomata chilena lamentou também que o governo bielorrusso não tenha permitido o acesso ao país a observadores do gabinete do Alto Comissariado.

O debate contou com a presença dos ministros das Relações Exteriores de Ucrânia, Polônia, Lituânia, Estônia, Eslováquia, Romênia e Dinamarca (representando os países nórdicos), que apoiaram as alegações de Bachelet e, em alguns casos, pediram a libertação dos presos políticos e a repetição das eleições de agosto. EFE

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