EFEBruxelas

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, afirmou nesta quarta-feira que o grupo planeja uma resposta "convencional" e não um desdobramento de novos mísseis na Europa diante do possível abandono de Estados Unidos e Rússia do tratado para a eliminação de mísseis - nucleares ou convencionais - de alcances curto e médio (INF, sigla em inglês) que ambas as potências assinaram em 1987.

"Não temos nenhuma intenção de implantar novos sistemas de armas nucleares terrestres na Europa. Depois, certamente, temos um amplo leque de outras opções, convencionais e de outros tipos", disse Stoltenberg, ao chegar ao local da reunião de ministros aliados da Defesa na qual o assunto será tratado, mas sem falar sobre as possibilidades para não aumentar a "incerteza".

Após acusar a Rússia de descumprir o tratado, os Estados Unidos decidiram iniciar o processo de saída, que terminará em seis meses.

"A Rússia continua infringindo o INF desdobrando novos mísseis de médio alcance com capacidade nuclear. São difíceis de detectar, são móveis e podem atingir cidades europeias. É algo que gera grande preocupação. Continuamos a pedir que a Rússia cumpra o INF", defendeu.

Stoltenberg disse que espera encontrar o ministro de Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, na Conferência de Segurança de Munique esta semana.

"Acho que é importante manter um diálogo com a Rússia, especialmente quando enfrentamos tantos assuntos difíceis e tensões elevadas pela violação do INF", argumentou ele, que disse que o diálogo acontece "em diferentes níveis", também no Conselho Otan-Rússia que reúne os embaixadores de ambas partes.

O secretário-geral aliado deixou claro que a Otan está focada principalmente em preservar o tratado.

"Existe uma chance de que a Rússia volte a cumprir. Ao mesmo tempo, estamos nos preparando para um mundo sem o tratado INF e com mais mísseis russos. Não vou prejulgar a análise ou o trabalho na Otan (sobre as possíveis respostas), porque é muito sério. O que posso dizer é que a nossa resposta será unida, comedida e defensiva", afirmou.

"Não queremos uma nova corrida armamentista", enfatizou.