EFECidade do Vaticano

O papa Francisco dirigiu uma carta nesta quarta-feira aos líderes que participam da Cúpula do Clima (COP25), em Madri, na Espanha, e pediu disposição de todos para colocar em prática medidas que visam combater a crise que o planeta atravessa.

"Muitos estudos mostram que é possível limitar o aquecimento global. Para isso, precisamos de vontade política clara, com visão de futuro e forte, decidida a seguir um novo curso, que dê novo foco para as inversões financeiras e econômicas, para áreas que verdadeiramente deem salvaguarda às condições de uma vida digna de humanidade e de um planeta são hoje e amanhã", escreveu.

A carta escrita pelo líder da Igreja Católica tem data de 1º de dezembro e foi divulgada hoje pela Santa Sé. O documento está dirigido à ministra do Meio Ambiente do Chile, Carolina Schmidt, que seria a anfitriã do evento, que acabou transferido para Madri. Logo no início do documento, Francisco lamenta o enfraquecimento do Acordo de Paris, sobre o clima.

"Lamentavelmente, quatro anos depois, devemos admitir que a consciência ainda é frágil, incapaz de responder adequadamente a este forte sentido de urgência", garantiu o papa, com relação aos dados que vêm sendo apresentados sobre a mudança climática.

"Estes estudos mostram que os compromissos atuais assumidos por estados estão longe de aqueles realmente necessários para alcançar os objetivos do Acordo de Paris. Mostram o distante que estão as palavras das ações concretas", garantiu.

O papa lembrou que existe um consenso de que é preciso promover processos de transição e transformação do nosso modelo de desenvolvimento, em favor da solidariedade e da cooperação.

"Devemos nos perguntar seriamente se existe vontade política para atribuir com honestidade, responsabilidade e coragem mais recursos humanos, financeiros e tecnológicos para atenuar os efeitos negativos das alterações climáticas, bem como para ajudar as populações mais pobres e vulneráveis que mais sofrem", afirmou.

O pontífice pediu que todos iniciem reflexão sobre nossos modelos de consumo e produção, sobre os processos de educação e consciência, para que o foco seja sempre a dignidade humana. Para o líder da Igreja Católica, o momento pode ser classificado como "desafio para a civilização".

"Que possamos oferecer para as próximas gerações, razões concretas para esperar e trabalhar por um futuro bom e digno", conclui o papa. EFE

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