EFERafael Cañas Madri

A 25ª edição da Cúpula do Clima (COP25), começou nesta segunda-feira em Madri, com novos apelos urgentes por ações conjuntas contra o aquecimento global, feitos pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e pelo anfitrião da reunião, o presidente interino do Governo da Espanha, Pedro Sánchez.

Com os últimos dados ainda muito recentes sobre o aumento global das temperaturas e a concentração de CO2 na atmosfera, líderes mundiais reunidos em Madri, liderados por Guterres e Sánchez, pediram para aumentar a ambição de conter as mudanças climáticas e combater os efeitos desta grave crise.

Guterres insistiu em pedir aos países que tenham ambição de reduzir as emissões de poluentes, já que, segundo ele, estamos em um "momento crítico" para combater a mudança climática.

Por sua vez, Pedro Sánchez disse que "apenas um punhado de fanáticos negam as evidências" das mudanças climáticas e que, no ponto em que a humanidade se encontra, "não há alternativa senão agir com os fatos".

A cúpula, que vai até o próximo dia 13, está sendo realizada em Madri depois que o Chile, país que atualmente ocupa a presidência da COP, decidiu não recebê-la diante da onda de protestos sociais que ocorrem no país há dois meses.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, participou da abertura através de uma mensagem gravada, onde destacou: "A ciência falou alto e claro, precisamos de compromissos climáticos muito mais ambiciosos e cumpri-los em períodos mais curtos" do que aqueles marcados no Acordo de Paris, em 2015.

A cúpula de Madri busca aumentar os compromissos nacionais a partir de janeiro de 2020, quando começa a aplicação prática do Acordo de Paris.

Os principais países responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa (Estados Unidos, China e Índia) estão representados nesta cúpula por delegações de segundo nível e, até, o presidente dos EUA, Donald Trump, iniciou o procedimento para retirar seu país do Acordo.

Guterres ressaltou que os principais países emissores "precisam fazer mais", pois, sem o "compromisso", os esforços de outros "serão completamente minados".

Nesse sentido, o secretário-geral da ONU alertou que os sinais de mudança climática são "inconfundíveis" e enfatizou: "Se não mudarmos urgentemente nosso modo de vida, colocamos em risco a própria vida".

O sul-coreano Hoesung Lee, presidente do painel de especialistas que assessoram a ONU sobre mudança climática, insistiu que a crise é real e lamentou o fato da comunidade internacional está longe de combatê-la.

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Guterres também alertou para a necessidade de garantir um financiamento de pelo menos US$ 100 bilhões anuais para mitigação e adaptação às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento.

Sobre isso, o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, denunciou que seu país é responsável por 0,003% das emissões de gases de efeito estufa no mundo, mas "nos últimos 20 anos estamos nos três primeiros lugares dos países mais afetados pela mudança climática" na forma de fenômenos como furacões ou secas.

Cinquenta chefes de Estado ou de governo e chefes de várias organizações internacionais participam desta cúpula, além de delegações de quase 200 países e numerosas organizações ambientais.

O primeiro dia da cúpula começou com a transferência de poderes da ex-presidência polonesa da COP para o Chile e, após a inauguração, houve uma mesa redonda dos líderes presentes no fórum. EFE

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