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O prefeito de Lima, Jorge Muñoz, foi destituído do cargo nesta quarta-feira por ter violado a Lei dos Municípios, já que, em 2019, exercia seu trabalho à frente do gabinete ao mesmo tempo em que ocupava o posto de gerente na empresa estatal Serviço de Água Potável e Esgoto de Lima (Sedapal).

O plenário do Júri Nacional Eleitoral (JNE) declarou "fundado", em segunda e última instância, o pedido de destituição de Muñoz após um cidadão ter apresentado um recurso contra um acordo da Câmara Municipal de Lima .

A Câmara havia rejeitado um primeiro pedido de exoneração em novembro de 2021, segundo a decisão do caso, divulgada pela imprensa local, mas cuja resolução ainda não foi publicada.

Muñoz foi acusado de ter recebido na Sedapal até quatro subsídios, no valor de cerca de 3 mil soles (cerca de R$ 4 mil) por sessão semanal, enquanto recebia seu salário mensal de prefeito, cargo que deveria exercer com dedicação exclusiva.

A imprensa local recordou que, ao saber desta queixa, o prefeito renunciou à direção da Sepadal e anunciou que iria devolver o dinheiro dos subsídios.

Quando, em novembro do ano passado, a Câmara Municipal rejeitou o pedido de demissão, Muñoz garantiu à emissora de rádio “RPP” que essa demanda era "inconsistente" e defendeu suas ações como diretor da empresa de água e esgoto.

"Onde está o conflito de interesses aí? Muito pelo contrário, o que há é unir esforços, construir pontes e buscar soluções. Se isso é conflito de interesses, então me deixe ir", declarou.

Muñoz assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2019 depois de vencer as eleições em Lima como representante do partido Ação Popular, do qual se desligou em novembro de 2020.

Sua gestão foi amplamente criticada por uma suposta falta de ação para resolver os problemas da capital peruana, a qual prometeu transformar em "Limaflores", depois de ter ocupado a prefeitura do bairro turístico de Miraflores, um dos setores mais ricos da capital.

Muñoz deve ser substituído nos próximos dias pelo vice-prefeito Miguel Romero Sotelo.

Romero estará à frente da capital peruana até 31 de dezembro, já que no dia seguinte tomará posse o novo prefeito que será eleito nas eleições regionais e municipais de 2 de outubro. EFE