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O presidente do Chile, Sebastián Piñera, reconheceu que houve casos de abusos e excessos por parte de policiais durante os protestos dos últimos dias no Chile e se mostrou aberto a realizar mudanças na atual Constituição.

"Houve excessos, abusos, descumprimento das regras do uso da força, mal critério ou crimes. Mas isso tem que ser investigado pelo Ministério Público e julgado pelos Tribunais de Justiça", declarou Piñera em entrevista ao jornal "El Mercurio".

Os protestos, que completam neste sábado 22 dias, têm saldo de 20 mortos em confrontos ou outros distúrbios, seis deles cidadãos estrangeiros. Do total de mortes, cinco foram cometidas por policiais ou outros agentes estatais.

Além disso, segundo dados do Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH), um órgão estatal, mas independente, foram contabilizados 1.915 feridos, dos quais mais da metade atingidos por disparos (de munição letal ou não letal e armas não identificadas).

Ao ser perguntado sobre se houve violações aos direitos humanos durante o transcurso das manifestações, Piñera pediu "prudência" e não deu uma opinião a respeito.

O presidente chileno foi taxativo ao defender a ida de militares às ruas para assumir as funções de ordem pública nos primeiros dias, quando foram decretados estado de emergência e toques de recolher em quase todas las regiões do país pela primeira vez desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, o que ocorreu em 1990.

Piñera destacou ainda que, se as circunstâncias se repetissem, voltaria a tomar essa medida.

Sobre a possibilidade de modificar a Constituição, vigente desde a era Pinochet e que sofreu várias emendas após o retorno do país à democracia, Piñera mostrou-se favorável. Há que se ressaltar, porém, que o governante não fala em uma nova Carta Magna, como pedem os manifestantes.

Há três semanas os chilenos que vão às ruas para protestar pedem o fim da desigualdade social e mudanças nos modelos liberais no Chile de previdência, saúde, educação e transporte, entre outras áreas. Com o passar dos dias, a pauta de reivindicações passou a incluir uma nova Constituição e a renúncia de Piñera.

"As mudanças na Constituição têm que ser mais profundas e mais intensas do que se pensabva há algunos anos. Não quero me comprometer con prazos, mas tenho claro que há um sentido de urgência. É para agora", afirmou o presidente.

Piñera elencou pontos nos quais a atual Carta Magna chilena deveria ser atualizada, como "definir melhor os direitos das pessoas".

Quanto à responsabilidade do Estado, apontar mais claramente quais serão suas obrigações em relação ao povo, porque, para ele, "há muito pouco disso" na atual Constituição.

Piñera reiterou que é necessário "criar melhores mecanismos de participação para que as pessoas possam se fazer serem ouvidas com clareza" e mudar algumas funções e atribuições de alguns órgãos estatais como a Controladoria Geral e o Ministério Público, que segundo ele "não estão funcionando tão bem".

Os protestos no Chile começaram em 18 de outubro em resposta ao anúncio do encarecimento das passagens de metrô em Santiago, mas logo se transformaram em um clamor popular contra o governo e o modelo econômico do país. EFE

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