EFESantiago (Chile)

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, decretou nesta terça-feira a militarização "por grave alteração da ordem pública" e o estado de exceção em uma região do sul onde há décadas ocorre um conflito territorial com indígenas mapuches, que se agravou nos últimos tempos.

"Este estado de exceção constitucional de emergência é para enfrentar melhor o terrorismo, o tráfico de drogas e o crime organizado. De forma alguma é voltado contra um povo ou grupo de cidadãos pacíficos", informou o mandatário em declaração pública no Palácio de la Moneda, a sede do governo.

O decreto abrange as províncias de Biobío e Arauco, na região de Biobío, e as províncias de Malleco e Cautín, em La Araucanía, e terá uma duração de 15 dias, prorrogável por mais duas semanas. Para uma terceira prorrogação será necessária a autorização do Congresso.

Estas e outras áreas no sul sofreram recentemente uma onda de violência, com ataques frequentes a máquinas agrícolas e terras, bloqueios de estradas, greves de fome de presos indígenas e tiroteios com vítimas. De acordo com números oficiais, os incidentes policiais aumentaram 94% nos primeiros seis meses de 2021.

Muitos desses episódios fazem parte do conflito mapuche, que coloca o Estado chileno contra o principal grupo indígena do país, que reivindica as terras que habitam há séculos e que agora pertencem majoritariamente a grandes empresas agrícolas.

Na manhã desta terça-feira, duas igrejas, uma católica e outra evangélica, foram incendiadas na cidade de Tirúa, 700 quilômetros ao sul da capital.

A medida anunciada na terça-feira "contempla a designação de chefes de Defesa Nacional" pelo Executivo, embora "as Forças Armadas terão de colaborar e não substituir as Forças de Segurança e Ordem e não poderão participar autônoma e diretamente em operações policiais", esclareceu Piñera.

Entre as novas competências que as Forças Armadas terão estão o apoio logístico, tecnológico, de comunicações, vigilância e patrulhamento "para procedimentos policiais realizados em áreas declaradas em estado de emergência".

"Os habitantes destes territórios vivem em constante medo e com um profundo sentimento de indefensabilidade, o que causa enormes danos, não só às vítimas diretas, mas também àqueles que se sentem ameaçados e a todos os chilenos", acrescentou. EFE